Passo a vida à espera.
E eu odeio esperar.
Esperar pela estreia da última temporada de uma série. Esperar que o café arrefeça. Esperar pelo dia em que possa, finalmente, começar a minha vida profissional.
Quero fazer tantas coisas ao mesmo tempo que, às vezes, acabo por não fazer nenhuma. A minha desculpa? Estou sempre à espera de alguma coisa para poder começar outra.
Álvaro de Campos escreveu, em Tabacaria:
“Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.”
E talvez seja isso que mais me assusta.
E, ao mesmo tempo, tenho em mim todos os sonhos do mundo, sem ter certeza de nada.
Por isso, consigo sentir que falhei em coisas que nem sequer comecei.
Projetos que nunca saíram da minha cabeça. Ideias que não ganharam forma. Planos que existem apenas naquele lugar estranho entre o “um dia” e o “ainda não”.
E, mesmo assim, já me dou por falhada.
Por enquanto, digo a mim mesma que não posso fazer muito. Ainda estudo. Estudo para um dia entrar no mundo profissional e, quem sabe, acabar igual a tantos outros.
Quer dizer…
Na minha cabeça vivem várias versões de mim no futuro. Todas querem coisas diferentes. Todas parecem possíveis. E eu não faço ideia de qual delas vai prevalecer.
Talvez seja por isso que estou sempre à espera.
À espera de acabar o curso.
À espera de saber o que quero.
À espera de ter tempo.
À espera de me sentir preparada.
À espera do momento certo.
Mas talvez o futuro não comece quando a espera acabar.
Talvez já tenha começado.
Quero começar os meus projetos, descobrir quem vou ser e fazer todas essas coisas que guardo para “um dia”.
Mas, até lá, resta-me aproveitar o agora.
Porque é o agora que pode mudar o amanhã.
E, até lá…
…esperarei.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem da capa: https://pin.it/AOhE4tC3K
Escrito por: Rita Cardona
Editado por: Carolina Dinis


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