E assim, chegou ao fim o primeiro ano da licenciatura em Ciências da Comunicação, no ISCSP. O meu nome é Soraia Amaral e escrevo “Confissões de uma Ansiosa”, uma crónica sobre aquilo que nem sempre se diz em voz alta, onde a inquietação ganha forma e a ansiedade se torna escrita. Hoje, escrevo sobre o meu percurso como caloira de CC no ano 2025/2026.
Ciências da Comunicação não estava de todo nos meus planos no secundário. Na verdade, sempre fugi a sete pés da paixão que tinha no jornalismo. Tanto fugi, que cá vim parar, pois no último instante da decisão, o coração fala sempre mais alto – e ainda bem que assim foi.
Sinto-me orgulhosa depois de tudo o que percorri (e de tudo o que fugi desta área, por insegurança e medo do futuro instável que poderia estar destinada a ter), ter chegado aqui, e de sentir que não me imaginava em qualquer outro sítio.
Fui recebida com muito carinho na terceira fase de Ciências da Comunicação, sem contar com o carinho que levei comigo de Ciência Política.
O primeiro semestre foi puro estudo constante, para conseguir acompanhar tudo o que tinha perdido. A atitude de secundário foi forte: comparecer em todas as aulas, rever todos os dias a matéria que foi dada, fazer os apontamentos mais bonitos e estudar para os testes com uma semana de antecedência. Dedicava mais tempo livre apenas aos meus amigos do secundário e ao meu namorado, sem perceber o que a faculdade me aguardava. Confesso que não procurei conhecer pessoas nessa altura, não quis me dar tanto a conhecer. Não fugia, mas também não ia ao encontro de. Priorizava o meu espaço, e ia formando uma amizade ou outra.
Já o segundo semestre, foi o melhor que poderia ter desejado. Não mudou muita coisa: continuei a ir a (quase) todas as aulas, a fazer os apontamentos mais bonitos que conseguia e a estudar quando podia – foi um ótimo equilíbrio. No entanto, dediquei mais tempo livre aos convívios, a apanhar sol na Praça Monsanto, a conhecer as pessoas do meu curso e alinhar no que quer que fosse. Comecei a ir ao encontro de, e que bonito que foi.
Faço parte da AEISCSP e do núcleo de CC, e com isso, percebi que o associativismo é um dos meus objetivos na faculdade. Fiz trabalhos super interessantes, que com certeza terão impacto na profissional que desejo ser um dia. Consegui alcançar notas que não esperava de todo, e que deixam o meu lado nerd super satisfeito. Tento participar em tudo o que puder do Jornal desacordo, pois sei que são experiências e aprendizagens que levo para toda a vida. Basicamente adotei o pensamento de Carpie Diem/Seize the day. Até porque esse é o motivo de todos nós: aproveitar todos os dias como se fossem o último a pisar a Terra, e nisso ser o melhor de nós mesmos.
A maior aprendizagem que levo deste ano é que a empatia é a maior qualidade que alguém no mundo da comunicação (e não só) pode ter. Sem empatia, não se constrói um bom profissional de comunicação, pois não se constrói um cidadão em primeiro lugar. Sinto que CC cresceu a minha empatia pelo próximo, e fora todas as notas conseguidas, objetivos alcançados, amigos feitos e memórias vividas, esta terá sido a maior virtude que levo deste ano letivo.
Procuro crescer a empatia por mim mesma, algo que confesso ter em falta. Toda esta ansiedade, pânico, nervosismo e stress que coloco em cima de mim não são saudáveis, e esse é o meu próximo grande objetivo.
Aconselho a todos os leitores a deixarem-se conhecer, e a procurar conhecer os outros. As maiores virtudes vêm das experiências que vamos tendo, e das várias realidades com que nos vamos cruzando.
E não, não me arrependo da maneira cética como encarei o primeiro semestre. Claro que a minha atitude de “casa-faculdade-casa” fez-me perder muito boas experiências, e vai sempre ter um peso em mim. Mas também me ensinou exatamente isso: que a faculdade não é só ter 20s, ao contrário do que a escola me fez acreditar durante 12 anos. A faculdade é sobre um currículo preenchido de experiências, presenças e muitos projetos. E essa experiência mais empírica foi me dada pelo segundo semestre.
No entanto, este também me deu uma experiência valiosa: nenhum CV será mais importante do que o currículo da vida que construo ao longo destes 3 anos – os amigos, as saídas e os bons momentos que dali levo.
Foi um orgulho ser caloira neste curso tão bonito e destas pessoas igualmente bonitas, por dentro e por fora. Procuro continuar o legado de todos que nos receberam e, no próximo ano, fazer os caloiros sentirem-se como eu me senti no ISCSP: em casa.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Imagem de Capa: Fonte própria
Escrito por: Soraia Amaral
Editado por: Leonor Oliveira


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