A Última Dança de um Eterno Capitão

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O apito final marcou a despedida de Portugal do Mundial. Talvez tenha marcado também a última vez que Cristiano Ronaldo disputou a maior competição de seleções. Se assim for, não termina apenas uma carreira internacional: fecha-se um dos capítulos mais extraordinários da história do desporto português, e de todo o mundo.

Na passada Segunda-Feira, dia 6 de Julho, Portugal e Espanha disputaram nos oitavos de final quem passaria para a próxima fase deste grandioso campeonato. Para o desagrado de todos os portugueses, Portugal saiu derrotado por 0-1, golo sofrido na compensação do jogo (90+1´).

A imagem de Ronaldo no fim do jogo certamente que marca todos os portugueses com enorme tristeza, pois não só foi o fim do Mundial 2026 para o país, como também marcou a last dance do nosso capitão.

Fonte: Instagram do Jornal Expresso

Para além de todas as críticas à arbitragem (o costume), as críticas a Cristiano Ronaldo emergem com força. Mas não foi só a derrota que as originou, pois desde as convocatórias que algumas pessoas criticaram a presença de Ronaldo na Seleção Nacional, devido à sua idade, à sua capacidade física e o confronto com avançados mais jovens de outras seleções.

A realidade por detrás da sua convocação, é muito superior a essas limitações: Ronaldo continua a ser convocado pelo seu mérito e espírito de equipa, pela sua capacidade de liderança e experiência, e pela sua mentalidade de campeão, mesmo face a derrotas. Nenhuma destas qualidade se mede por golos marcados e intensidade física.

Arrisco-me a dizer que, apesar de termos muito bons jogadores (a meu ver, uma das melhores equipas deste Mundial), sem Ronaldo a equipa não funcionaria como funcionou, em momentos de “crise em campo”. Cristiano Ronaldo é, e sempre será, a “cola da Seleção”, pois só ele consegue mover uma equipa daquela maneira. Penso que isso ficará para sempre na história do futebol português.

Para além disso, a eliminação frente à Espanha não pode ser resumida a Ronaldo. Roberto Martínez fez más decisões ao longo do jogo, como não colocar Gonçalo Ramos em campo, tirar João Félix sem razão aparente, entre outros. Também sofremos, evidentemente, com a saída de Nuno Mendes, devido à sua lesão. Cristiano não tem capacidade para jogar 90 minutos, é verdade, mas isso não está nas mãos dele, e sim do Selecionador.

CR7 será sempre o melhor marcador da história das seleções, o jogador com mais internacionalizações, Campeão Europeu, vencedor da Liga das Nações, e um jogador que mudou para sempre o estatuto internacional de Portugal, que conquistou o patamar de decidir, ele mesmo, quando deve ou não sair da Seleção Nacional Portuguesa. Claro que não o fez sozinho, pois o futebol é um desporto coletivo, e por vezes pareceu colocar o seu ego à frente da equipa, mas creio que, pela sua dedicação ao desporto, nunca o tenha feito com essa intenção. E de qualquer das formas, nada disso lhe tira metade do mérito.

Eu cresci a ver Ronaldo conquistar o coração dos portugueses, e carregar este país durante duas décadas será sempre algo para se orgulhar. De facto, está na hora de ele recuar, como jogador. Está na hora de dar o palco a outros jogadores com mais capacidade e, quem sabe, passar-lhes as suas qualidades enquanto capitão, enquanto pessoa.

O erro foi exigir que um jogador de 41 anos resolvesse sozinho problemas que pertenciam a uma equipa inteira. Ronaldo já não é o mesmo atleta de 2016 ou 2018. Mas continua a ser um símbolo, um líder e um jogador que conquistou o mundo.

Obrigada, Ronaldo. Obrigada, Seleção.

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Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: Fox Deportes

Escrito por: Soraia Amaral

Editado por: Margarida Simões


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