Se há algo mais erróneo e volátil nesta vida, é o gostar.
Exemplo? Quedas.
Ninguém gosta de cair.
Ninguém gosta de cair quando se está no topo,
Nem muito menos quando já se está no fundo.
Ninguém gosta de cair sozinho,
Nem muito menos acompanhado.
Ninguém gosta de cair no início,
Nem muito menos no fim.
Ninguém gosta de cair numa vida em que se é obrigado a cair.
Nada menos que o cúmulo da ironia.
E se vos disser que já gostei de cair?
“O quê?! Só podes estar a brincar.”
Eu já gostei.
E o mais engraçado, é que era sempre a brincar.
Lembro-me do quão bom era cair,
O quão bom era ter um um braço partido, ou os joelhos afogados em sangue.
O quão bom era ter a avó a curar as feridas que não criou,
Cicatrizando ainda aquelas que nem fazia ideia de ter.
Foi no momento em que o vermelho vivo jorrava,
E nas lágrimas quentes que deitava,
Que vi o reflexo mais puro, simples e genuíno do amor.
“Shhh não te mexas, a avó está aqui e jájá ficarás novinha em folha!”
E foi também nesse momento de revisitação saudosista,
Que percebi o porquê de ter gostado tanto de cair.
Gostava de cair, pois era sempre amortecida.
Amada e tecida pelo amor sortudo da avó.
Especial Dia Mundial dos Avós
Fonte da Imagem de Capa: Hubpages
Escrito por: Melissa Figueiredo
Editado por: Margarida Simões


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