O meu nome é Margarida Simões, e assumo hoje o cargo de Diretora do Jornal desacordo. E não, ainda não me acostumei a dizer isto. Tenho duas pequenas peculiaridades que penso que seja melhor tirar a priori do caminho: vou ser a primeira Diretora que frequenta o curso de Ciência Política a assumir o desacordo e, ao contrário do que talvez fosse de esperar, ainda não estou de saída do ISCSP. Estou no meu segundo ano e, portanto, ainda tenho bastante tempo para me arrepender desta decisão, ou, para perceber que foi uma das melhores que podia ter tomado.
Posso ainda dizer-vos que, honestamente, nunca pensei chegar aqui.
Quando decidi entrar para o Jornal desacordo, não tinha propriamente a ambição de um dia estar a escrever um texto de boas-vindas enquanto Diretora do jornal. Tudo o que pretendia levar desta experiência era encontrar um cantinho no ISCSP onde pudesse fazer aquilo que mais gosto: escrever. Pouco depois apercebi-me que de -inho este Jornal não tinha nada e apercebi-me da sua imensidade. Tudo o que queria era escrever, participar e, de alguma forma, fazer parte daquele projeto que, apesar de ainda estar a crescer, já tinha conseguido criar um espaço dentro do ISCSP. E agora, passado algum tempo, sou eu que tenho a responsabilidade de o continuar.
Mas, antes de falar da responsabilidade, acho que vale a pena falar daquilo que me trouxe até aqui.
O desacordo deu-me muito mais do que artigos publicados. Deu-me entrevistas que ainda hoje me lembro de fazer, pessoas que provavelmente nunca teria conhecido de outra forma e oportunidades que, quando entrei para o jornal, nem sequer sabia que podia ter. Deu-me a possibilidade de estar presente no Festival da Canção, de andar pela Lisboa Games Week, de conhecer histórias e perspetivas completamente diferentes das minhas e de perceber que escrever para um jornal universitário pode levar-nos a sítios bastante inesperados. Algumas destas experiências duraram uma tarde, outras ficaram comigo durante muito mais tempo, mas todas elas fizeram com que este projeto deixasse de ser apenas um sítio onde eu podia escrever.
E é provavelmente por isso que esta responsabilidade é tão grande. A responsabilidade e a vontade de querer que que os novos estudantes aproveitam tanto o desacordo quanto eu o fiz e continuo a fazer.
O desacordo é um jornal feito por estudantes e, por isso mesmo, é também para os estudantes. É de todos nós. Desde quem escreve para ele, quem fotografa, quem aparece numa entrevista, quem tem uma opinião que quer partilhar, até quem lê um artigo e discorda completamente dele. É precisamente essa diversidade que queremos continuar a trazer para o jornal.
Este ano pretendemos continuar a crescer. Não apenas no número de pessoas que fazem parte da direção, mas na forma como o jornal funciona. Foram criados mais cargos, de forma a distribuir melhor responsabilidades e tornar a estrutura cada vez mais organizada, autónoma e democrática. Não porque o que foi feito antes não tenha funcionado, mas porque um projeto que pretende continuar a crescer também tem de saber adaptar-se.
É também por isso que é impossível não falar de quem esteve aqui antes de nós. O ano passado teve as suas dificuldades. Houve coisas que correram bem e outras que podiam, sem dúvida, ter corrido melhor. Sabemos disso e não queremos fugir a essa realidade. Queremos aprender com ela e, acima de tudo, trabalhar para que este ano seja melhor.
Nesse sentido, tenho também de agradecer ao José Pereira. Por tudo o que fez pelo desacordo, pelo tempo que dedicou ao jornal e por tudo aquilo que deixou construído para que nós pudéssemos agora continuar este projeto. De forma mais egoísta, obrigada por tudo o que fizeste por mim José, sem ti não estaríamos aqui. Nenhuma direção começa verdadeiramente do zero e muito do que somos hoje resulta do trabalho de quem esteve aqui antes.
Agora cabe-nos a nós pegar nisso.
Não quero que o desacordo seja apenas um jornal que publica artigos de vez em quando. Quero que seja um espaço onde os estudantes sintam que podem participar, experimentar, escrever sobre aquilo que gostam e, porque não, discordar. Afinal, o nome já nos obriga um bocadinho a isso.
E esta talvez não seja a frase mais positiva de se dizer. mas a verdade é que continuo sem saber sei exatamente onde vamos chegar este ano. O que sei com certezas é que vamos cometer erros pelo caminho, que provavelmente vamos mudar de ideias algumas vezes e que haverá coisas que vão correr melhor do que outras. Mas também sei que temos muito espaço para fazer crescer este projeto.
Por isso, se estão a ler isto e nunca escreveram para o desacordo, talvez este seja o ano para experimentar. Se já fizeram parte dele, espero que continuem connosco. E se simplesmente são estudantes do ISCSP que gostam de ler, criticar ou discutir aquilo que aqui aparece, então este jornal também é vosso.
Eu, pelo menos, estou curiosa para ver o que vamos fazer com ele.
Margarida Simões | A Diretora do Jornal desacordo


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