Tal como os átomos são o que constitui a matéria,
Carolina Malheiros
A peça fundamental na nossa conceção da realidade são as histórias.
Tal como os átomos são constituídos por protões, neutrões e eletrões,
As histórias são construídas com ideias, acontecimentos (factuais ou fictícios) ligados com significado.
Normalmente pensamos em histórias apenas como entretenimento, mas estas narrativas têm um papel muito maior nas nossas vidas.
As histórias (factuais ou ficcionais) e a maneira como as contamos, são fundamentais para a cognição humana. Moldam culturas, gerações, memórias pessoais e a identidade de todos nós.
Mesmo assim, muitas vezes, este impacto é ignorado e poucos se questionam, ao entrarem em contacto com uma história, o que está por detrás desta.
Da mesma forma que nós contávamos histórias à luz da fogueira para ensinar que animais temer, também fazemos discursos políticos. O mesmo instinto que nos levou a pintar nas paredes de uma caverna é o mesmo que nos leva a postar histórias no Instagram. Nós queremos ligações e as histórias são a maneira como nós conhecemos o mundo e a nós próprios.
A neurociência e a psicologia provam que a narrativa é um mecanismo mental central que molda cada um de nós e as nossas sociedades. Organiza as nossas experiências, ajuda-nos a aprender através da faceta emocional e possibilita a criação de pontes entre pessoas através do espaço e do tempo. Histórias alteram a maneira como o nosso cérebro processa informação porque convidam-nos a criar ligações com os factos e a reconstruir assunções.
O conteúdo de uma história, mesmo quando esta é factual, depende de muito mais para além dos factos que a compõem. Quem a conta, o contexto cultural onde esta se insere e, até mesmo, o público mudam uma história completamente. A mesma história pode destruir ou inspirar, dependendo do sentido que lhe damos.
Nós ativamente procuramos, mesmo que sub-conscientemente.
O que resta questionar é: se a ciência e a experiência comprovam esta importância, porque é que não utilizamos este conhecimento mais deliberadamente? E porque é que, quando ouvimos uma história, não nos perguntamos quem a conta e o seu contexto e intenção?
Em todos os campos as narrativas que guardamos criam a nossa versão do mundo.
Tell me a fact, and I’ll learn. Tell me a truth, and I’ll believe.
Ed Sabol
But tell me a story, and it will live in my heart forever.
Com isto, quero deixar algumas perguntas em que acho interessante refletir:
– Qual é uma narrativa dominante na tua comunidade (seja dentro do teu ramo de trabalho, no país onde vives ou no teu grupo de amigos) que está a provar-se errada?
– Qual é a história que querias que mais pessoas encontrassem?
– Qual é uma história que contas a ti mesmo sobre o mundo?
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escrito por: Carolina Malheiros
Editado por: Leonor Oliveira


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