Caímos na trolagem do Montenegro

Mais uma vez, sinto-me obrigado a reclamar. Parece que o nosso belo país está a entrar em erupção. O problema da habitação finalmente veio ao de cima (coisa que já devia ter acontecido antes). Mas isso não interessa, o que realmente importa é que agora o povo está unido e o povo unido jamais será vencido, certo?

Bem… Pelos vistos não é bem assim. Nessa situação toda, há três tipos de pessoas. O primeiro é o manifestante que quer ter a oportunidade de realmente comprar uma casa sem ter que morrer de fome. O segundo são os que não se manifestam e ficam irritadas por ver pessoas com cabelo cor de rosa na rua, indo para as redes sociais dizer que os jovens não querem trabalhar, enquanto essas mesmas pessoas compraram as suas casas por um Compal de manga e uma merenda mista do Lidl. Por fim, temos o terceiro tipo, os oportunistas que causam essa discórdia para tirar o foco do essencial. Mas porquê?

É simples responder, quem está em cima permanece intacto quanto mais discórdia existe entre os de baixo, o final boss com 55 imóveis vai sair ileso porque passamos mais tempo a discutir se a malta que está no Rossio toma banho ou não. O foco nunca deve ser a polícia contra os manifestantes, pois os polícias também são inquilinos, o foco tem que ser quem está em baixo contra quem está em cima.

O movimento tem algumas falhas? Sim, mas a luta não pode parar. A habitação é um direito fundamental e não podemos permitir que as divisões ou os obstáculos políticos nos afastem desse objetivo. Continuaremos a lutar para que todos possam ter acesso a uma habitação digna. Viva a luta pelo direito à habitação!

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da Imagem de Capa: Expresso

Escrito por: Lucélio Emanuel

Editado por: Maria Francisca Salgueiro

Deixe uma Resposta