“A Queda da Baleia”: do luto ao fundo do mar

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Após a morte do seu pai (Josh Brolin), Jay Gardiner (Austin Abrams) mergulha ao largo da costa central da Califórnia em busca dos seus restos mortais, mas acaba por ser engolido por uma enorme cachalote. Preso no interior do animal, com apenas uma hora de oxigénio restante, Jay percebe que os valiosos ensinamentos do seu pai podem ser a sua única chave para sobreviver.

“A Queda da Baleia” é realizado por Brian Duffield, com um argumento de Brian Duffield e Daniel Kraus, baseado no livro homónimo de Daniel Kraus, e conta com Austin Abrams, Josh Brolin, Elisabeth Shue, John Ortiz, Jane Levy e Emily Rudd no elenco. Os produtores são Brian Grazer, Brian Duffield e Allan Mandelbaum, com Doug Merrifield, Richard Abate e Will Rowbotham como produtores executivos.

O novo filme da 20th Century Studios e da Imagine Entertainment teve a sua sessão de imprensa nos Cinemas NOS do Centro Comercial Colombo a 12 de outubro, tendo estreado nas salas de cinema portuguesas a 15 de outubro.

A relação pai e filho

Durante o filme, vamos percebendo que a relação difícil entre pai e filho esteve sempre presente ao longo de toda a história. Jay manteve sempre uma relação difícil com o seu pai, o que acabou por gerar uma distância significativa entre os dois. Após o seu falecimento, Jay sente que o seu luto ficou num impasse e que só conseguirá encontrar paz se resgatar os restos mortais do seu pai; assim, regressa à sua terra natal para cumprir esta missão.

Enquanto procura nas profundezas do oceano, acaba por ser engolido por uma cachalote, e a única maneira de sobreviver é seguir os passos que o seu pai lhe tinha ensinado desde pequeno. Ao ficar preso na baleia, entende que é o único lugar de onde não consegue escapar nem a si próprio nem à figura paterna. Superar este momento crítico permite-lhe não só salvar a própria vida, como também reconhecer o impacto real e positivo que o seu pai teve na sua vida.

A Crítica à Exploração Marinha

Durante toda a vida, o mar fez parte da vida do pai de Jay e, durante o filme, é-nos apresentada, de forma subtil, uma crítica à exploração animal. Quando Jay conta ao pai que vai à festa de aniversário de um amigo ao SeaWorld, surge uma reação revoltada do pai, que defende que o filho devia contemplar o oceano no seu estado natural.

Esta posição reflete a sua revolta contra a visão mercantilista dos ecossistemas marinhos, onde criaturas selvagens, que deveriam viver no seu habitat natural, têm de estar sujeitas a condições mínimas apenas para o entretenimento humano. Em particular, as baleias são dos animais mais sacrificados nestas instalações, devido ao seu tamanho e à necessidade que têm de estar no seu meio natural.

Este é um filme que vale a pena ver: deixa-nos desconfortáveis e em tensão durante a maior parte do filme, uma vez que demonstra, na maior parte do tempo, o protagonista num ambiente escuro e claustrofóbico. No entanto, a história entre pai e filho é algo muito comovente e bonito, uma vez que conseguimos acompanhar o processo que leva Jay a superar a morte do seu pai e a alcançar a paz de que necessitava para ter coragem de ler a carta que o pai lhe tinha deixado. Além disso, acaba sobretudo por ser um filme que reflete a culpa e o receio que muitos de nós já sentimos ao procurar encerrar um ciclo doloroso ligado à perda de alguém.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: 20th Century Studios

Escrito por: Bárbara Pedrosa

Editado por: Carolina Dinis

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