O mundo que prometemos construir

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Todos os anos, a 24 de outubro, celebramos a união das nações. Mas como podemos celebrar a união num mundo que continua a aprender a conviver com a divisão?

O Dia das Nações Unidas assinala a entrada em vigor da Carta das Nações Unidas, em 1945, e recorda-nos o compromisso coletivo com a paz, a cooperação internacional e a defesa dos direitos humanos. Apesar disto, décadas depois, continuamos a assistir a desigualdades sociais, conflitos armados, e milhões de pessoas obrigadas a abandonar as suas casas. Defendemos a igualdade, mas nem todos têm as mesmas oportunidades de viver com dignidade. Falamos de paz, mas a guerra teima em persistir.

Com base nesta realidade, torna-se inevitável questionar a distância existente entre os valores que defendemos e o mundo que estamos a construir. A afirmação de compromissos internacionais é fundamental, mas a verdadeira mudança exige também responsabilidade coletiva e vontade de agir.

E se começássemos por olhar para a comunidade de que fazemos parte diariamente? Sim, a faculdade não é apenas um espaço de aprendizagem académica, é um lugar onde vemos serem cruzadas culturas, experiências e opiniões diferentes, representa uma oportunidade para praticarmos os valores que tanto defendemos: respeitar as diferenças, acolher quem chega de novo, combater o preconceito e estar atentos a quem se pode, eventualmente, sentir excluído. Participar em iniciativas solidárias, apoiar projetos comunitários ou dar, simplesmente, espaço à voz de quem raramente é ouvido são formas concretas de contribuir para uma comunidade mais inclusiva.

Fonte: Nações Unidas

Talvez não seja possível mudar o mundo do dia para a noite, mas podemos tentar transformar os espaços que habitamos, A união não exige que sejamos todos iguais, mas que saibamos reconhecer a dignidade do outro, mesmo quando pensamos de forma diferente e a faculdade, promove a solidariedade, a participação e o respeito, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Celebrar o Dia das Nações Unidas é, por isso, mais do que recordar uma instituição. É refletir sobre a responsabilidade que partilhamos na construção do futuro, começando pelas comunidades em que estamos inseridos.

Talvez o mundo que prometemos construir ainda esteja bastante longe de ser uma realidade mas a distância entre aquilo que somos e aquilo que podemos ser não deve servir de desculpa para a indiferença. Afinal, a união das nações só fará verdadeiramente sentido quando a dignidade de cada pessoa deixar de ser uma promessa e passar a ser uma realidade.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: MPM

Escrito por: Maria Correia

Editado por: Rodrigo Caeiro

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