Cinema Paradiso é um filme franco-italiano lançado em 1988, realizado por Giuseppe Tornatore. Venceu o Oscar de melhor filme em língua não inglesa na cerimónia de 1990.
“A vida não é como nos filmes, a vida é muito mais difícil.”
Basta abrir o meu Letterboxd para se perceber rapidamente a influência que o cinema das últimas duas décadas incide sobre mim. Revelação chocante, ao terem sido precisamente estas últimas duas décadas que marcaram a minha existência, mas também porque nos últimos anos, tenho assumido por costume a “tarefa” – às vezes assim o parece -, de assistir aos nomeados dos Oscars.
Porém, quanto mais conheço e me debruço sobre a sétima arte, mais vontade tenho de arriscar em filmes mais antigos, do outro século, ou de outras nacionalidades que não apenas os da vibrante máquina americana de Hollywood. É nessas aventuras, que acabo por vezes por me deparar com clássicos. E dos bons. Cinema Paradiso é um desses.
Sicília, anos 40-50. A segunda guerra mundial tinha por poucos anos chegado ao fim, deixando Salvatore, ou Totó, como em pequeno era apelidado, órfão de pai. Sua mãe, por consequência, torna-se mais rígida na educação, mas nem por isso ele deixa de ser um autêntico “traquina”. Numa das variadas vezes em que devia estar em casa, a criança escondia-se atrás das cortinas do Cinema Paradiso, o lugar de encontro da aldeia, e rapidamente se apaixona pelos filmes, simultaneamente construindo uma amizade inesperada com o projecionista.
A premissa é simples, e a execução é complexa, deambulando brilhantemente pelos aspetos mais cruciais da nossa passagem. Cinema Paradiso fala sobre os efeitos da memória, da arte, da infância, e do amor na vida. Mas sobretudo, explora a forma como todos estes tópicos se relacionam e se complementam. Talvez por isso não seja nunca um filme vítima da sua década. A sua narrativa e a emoção que provoca em quem o assiste será sempre transcendente ao espaço-tempo, por abordar temas que nos são eternos.
São filmes como estes que nos mostram que o cinema tem o poder de durar para sempre (não mais, nem menos que o ballet e a ópera, não entremos por aí…), cruzando gerações e perpetuando suas histórias.
Porque não há arte melhor, nem arte pior. A arte vale por si. O que se faz hoje não é superior, nem inferior do que há quase 40 anos aqui se fez; o mainstream não é melhor que o indie; o americano não é melhor que o estrangeiro – nem vice-versa. É diferente. Mas se as histórias valem por si, garanto-vos, esta, valeu por tantas.
Quando duvido sobre como fará o cinema parte da minha vida, se alguma vez vou alcançar esse meu sonho da realização/guionismo, e deixar a minha marca no mundo através da minha arte, penso neste filme, e no Salvatore. Penso na forma como a arte nos mostra, repetidamente, que o seu poder é maior do que qualquer medo ou inquietação. Quando os filmes deixam de ser histórias de ficção e passam a ser retratos de vida, da nossa vida, tudo faz sentido.
Cinema Paradiso não é só o nome da sala de cinema que juntava multidões para assistir fragmentos de vida contados em 24 frames por segundo. É uma fórmula matemática: Cinema + Paradiso = Nome + Adjetivo. Ainda assim, não fora preciso nunca a exatidão das matemáticas ou das letras para mo fazer acreditar. Depois de ver o filme, comprovo o que já sabia apenas através do sentimento:
O Cinema é um Paraíso. É o meu Paraíso. E olhem que eu nem acredito em deus.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Pinterest
Escrito por: Rodrigo Caeiro
Editado por: Rita Luís


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