Comunicar a Perda

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Diz o ditado que só damos valor às coisas quando as perdermos e este semestre veio mostrar-me que quem o inventou não poderia ter mais razão.

Bom, olá, não sei bem como começar isto, mas aqui vou eu.

Este ano letivo começou com uma pequena voz a surgir por trás da minha cabeça, que dizia: “Aproveita agora, que depois eles não estão”. Mini contexto: os meus amigos foram de Erasmus e eu fiquei no ISCSP para contar a história, yeyy…

Adivinhem só, se eu achava que ia ser mau, acho que conseguiu ser ainda pior, apesar de ter tentado ao máximo esconder este sentimento de solidão das outras pessoas e, até mesmo, de mim.

Nesta altura do campeonato, em que já estou a chegar à meta final da licenciatura, a faculdade não devia ser mais um lugar estranho ou desconfortável, pelo menos achava que o espaço e o lugar que lá ocupava/ocupo não poderia regredir. Mas esta ideia não passava de uma mera ilusão, uma vez que descobri que o meu lugar na faculdade não se faz apenas de ir às aulas e ter boas notas, mas que me revejo em todos os momentos e pessoas que me fizeram ter a minha visão de ISCSP, ou como gostava de dizer o meu ISCSPsinho.

A verdade é que desde do fim do 1.º semestre que eu deixei de o ver assim, vi um edifício em forma de U, com muitas pessoas, mas não vi as minhas. Vi um monte de cadeiras, mas não vi o meu lugar. E isso custa, tanto.

Por vezes, penso se estou a ser injusta e que o meu problema não é válido, visto que, obviamente, este é um problema meu e não tem qualquer tipo de impacto nas outras pessoas. Todavia, não percebo como é que algo tão superficial, pode-se encaixar num lugar tão profundo do meu ser.

Procurei a fundo não pensar muito na saudade que sentia, mas ela lá arranjava maneira de vir sempre ao de cima. Sabem aquela típica cena de filme em que o aluno novo chega ao colégio e não conhece ninguém, então fica a almoçar sozinho até que um grupo simpático o acolha?! Yup, podem acreditar, não acontece apenas nos filmes, eu vivi-o, e agradeço o carinho dos meus 6 caloirinhos (grupo simpático) que me acolheram sempre que puderam. Acontece que eu já não sou a miúda nova do colégio, sou a Maria que não escolheu o mesmo destino dos amigos e, por isso, teve de lidar com as consequências das suas escolhas.

Agora, juntem a este cenário do almoço, o seguinte: imaginem-se a irem para as aulas e verem sempre as mesmas pessoas na sala. Pessoas essas que se contavam pelos dedos das mãos, mas nenhuma era para ti, então ficas no teu cantinho. Depois, sais para o intervalo e percebes que mais vale voltares para a sala, só para não pareceres sozinha e, no fim, vais-te embora e apercebes-te que não há ninguém que fique à espera que arrumes as tuas coisas para te dizer: Adeus e até amanhã, amiga. É estupidamente frio este ambiente e estes dias repetiram-se vezes e vezes sem conta… Ah e a voz que antes me dizia para aproveitar, agora dizia-me: “Aguenta, já não falta tudo!”

De facto, se vos parece que as coisas já estavam depressivas o suficiente, agora juntem a ideia de terem de fazer trabalhos de grupo em que só confiam numa ou outra pessoa. Ai só lamúrias atrás de lamúrias, mas eu digo-vos foi duro e estou mesmo contente que este capítulo se tenha fechado.

Ah, não se enganem eles ainda não voltaram, mas o momento em que a minha solidão estava mais exposta, já acabou.

Por fim, não acho que seja justo acabar este texto sem dizer que surgem sempre pequenas luzes ao fundo do túnel e que, apesar dos apesares, conheci pessoas muito bonitas ao longo deste semestre louco e a elas devo-lhes vários sorrisos. Já agora, também convém destacar que quando uma porta se fecha, abre-se uma janela e foram surgindo vários convites ao quais disse sim e uma proposta que me vai ocupar o verão todo, mas quem corre por gosto não cansa… Vou viver um sonho antigo, pena é não os ter aqui para amplificarem o meu entusiasmo.

O meu último dia de aulas, não foi pautado de grandes emoções, mas terminou com o discurso de uma professora que tenho em muito boa conta, que disse a seguinte frase: “Comunicar é construir comunidade.”. De facto já percebi porque andava tão perdida, perdi a comunidade que construí, e eu sou de Comunicação…

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Imagem de Capa: Fonte Própria

Escrito por: Maria Cavaco

Editado por: Leonor Oliveira

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