Vamos jogar ao impostor?

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No fundo, ver quem consegue fingir que tem tudo sobre controlo durante mais tempo, que está seguro de si e que não está completamente perdido na vida.

Jogar ao impostor tem mais semelhanças com a vida real do que possamos pensar. Este jogo rege-se pelo princípio “fake it til you make it” e, pensando bem, a vida também. No jogo, todos têm uma palavra, menos o impostor; na vida, parece que toda a gente menos nós sabe o que está a fazer. Fingimos que sabemos o que vamos fazer depois da licenciatura. Fingimos que sabemos o que é melhor para nós. Fingimos que conseguimos fazer tudo sozinhos. 

A verdade é que, mais cedo ou mais tarde, sentimo-nos o impostor e, desta vez, não falo do jogo. Falo daquele sentimento que começa pequenino, que se multiplica depressa e nos diz que não somos bons o suficiente para estarmos onde estamos ou que, a qualquer momento, alguém vai descobrir que somos uma fraude. 

A diferença é que, no jogo, o impostor acaba sempre por ser descoberto. Na vida, nem sempre. Porque, no fundo, estamos todos a tentar adivinhar a palavra certa enquanto fingimos que a sabemos desde o início. Observamos os outros, copiamos a forma como falam, como agem, como parecem tão seguros de si. E talvez seja isso que nos faz sentir menos sozinhos: perceber que ninguém recebeu realmente o manual.

Acho que crescer acaba por ser exatamente isto. Aprender a viver com a sensação de não saber bem o que estamos a fazer e continuar mesmo assim. Perceber que confiança não é ter sempre a resposta certa, mas deixar de achar que a dúvida nos torna uma fraude.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da Imagem de Capa: Pinterest

Escrito por: Carolina Viana

Editado por: Leonor Oliveira

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