Foi no passado dia 11 que se deu por terminada a missão Artemis II, que levou quatro astronautas a bordo da nave Orion (batizada de “Integrity”) da NASA. Entre estes está a especialista em missão Christina Koch, agora considerada a mulher que mais longe esteve da Terra na História da Humanidade.
O teste de voo que teve como grande objetivo passar em torno da Lua e voltar para a Terra acabou por adquirir uma dimensão muito maior, ao ponto de fazer História. Não só por ter sido o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis, mas por incluir a primeira mulher a orbitar a Lua.
No ano em que a missão Apollo 17 da NASA realizou a última viagem tripulada à Lua, as mulheres dos Estados Unidos da América ainda dependiam de uma figura masculina para terem acesso a crédito bancário. E pouco mais de 50 anos depois, vemos Koch como uma das primeiras mulheres a ir ao espaço e voltar em segurança.
Mesmo antes deste voo, Koch já havia estabelecido um recorde relativamente ao voo espacial individual mais longo realizado por uma mulher, com um total de 328 dias no espaço, além de ter participado nas primeiras caminhadas espaciais exclusivamente femininas.
Estes feitos refletem a luta constante e exaustiva das mulheres, que foi moldar o pensamento de sociedades inteiras, com o único propósito de provar a sua capacidade. Com o único objetivo de poderem estar em pé de igualdade com os homens, tiveram sempre que se esforçar mais para o mesmo:
Jocelyn Bell Burnell, com a descoberta dos pulsares (estrelas compostas por neutrões, que transformam energia rotacional em energia eletromagnética); Cecilia Payne-Gaposchkin, com a comprovação de que as estrelas são maioritariamente compostas por hidrogénio e hélio; Vera Rubin, com o fornecimento das primeiras evidências concretas da existência de matéria escura (forma invisível de matéria que compõe cerca de 85% da massa total do universo, que não emite, absorve, nem reflete luz); e Caroline Herschel, como a primeira mulher a descobrir um cometa e a receber uma remuneração pelo seu trabalho científico.
Todas elas do campo da astronomia e da astrofísica, nenhuma delas verdadeiramente reconhecida pelo seu trabalho. Estes são apenas alguns exemplos das cientistas que viram o seu mérito ser roubado, ou pura e simplesmente não reconhecido.
Koch reconfigurou o pensamento de inúmeras mulheres no mundo, sem fazer nada mais nada menos do que o que gosta de fazer. E como explicar isso a um homem? Como se há de explicar a um homem que o simples facto de Koch usar uma trança no espaço suscitou um sentimento enorme de conexão entre as mulheres? Uma perfeita representação da feminilidade, e de como esta também tem lugar em áreas dominantemente masculinas. Um raio de esperança, tanto para as que querem ser astronautas como para as que gostariam de o ter sido.
E a luta continua, aliás, mais está por vir. Talvez um dia estes acontecimentos deixem de ser celebrados, e oxalá que sim! Talvez um dia deixem de ser vistos como exceção, e passem a ser vistos como a norma. Talvez um dia se deixe de escrever sobre Christina Koch, porque já outras mulheres chegaram, e já outras mulheres fizeram História.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Imagem de capa: Christina Koch a olhar para a Terra a partir da nave Orion.
Fonte: Instagram
Escrito por: Sara Tavares
Editado por: Rodrigo Caeiro


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