Em frente a uma tela branca,
Não por falta de ideias, de tinta,
Mas sim por medos e receios.
E assim, ele hesita.
Não Matem o Artista, deixando o quadro por pintar.
De caneta na mão,
Entre ritmos e uma grande emoção.
O verso prende-se na garanta,
E assim se perde a paixão.
Não Matem o Escritor, deixando o livro por escrever.
Para dançar não precisamos de voz,
A comunicação é feita pelos gestos.
O que sempre foi liberdade,
Passou a um grande protesto
Não Matem o Dançarino, deixando o a coreografia por dançar.
Quando emergem problemas,
Os quais procuramos partilhar.
Pode uma canção vir a nascer,
Porém a voz aprende a calar.
Não Matem o Cantor, deixando a canção por cantar.
No palco, representa-se o real e o imaginário.
A máscara cola-se à pele, e custa a sair.
O aplauso não cura o vazio,
E o que lhes resta é sorrir.
Não Matem o Ator, deixando a peça por encenar.
Chegando ao digital,
A rapidez é um bem maior.
A produção é tão rápida quando o descarte de obras,
E logo, com ele vai todo o amor.
Não Matem o Artista, deixando a arte por realizar.
Não Matem o Artista, quem quer que seja.
Porque quando ele morre em ti,
O mundo continua…
Mas já não sabes senti-lo.
Em celebração do dia Mundial da Arte.
Fonte da imagem de capa: Deserter, de Tomasz Alen Kopera
Escrito por: Soraia Amaral
Editado por: Margarida Simões


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