Onde está o amor?

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Num mundo repleto de guerras, intolerância e ruído, onde é que o encontramos? Cada vez menos ele se torna visível. Mas, quando nos dispomos a olhar para o estado em que está o mundo, é um erro ceder à tentação de fixar apenas o que se vê. É no que não vemos que observamos o seu verdadeiro funcionamento. A força que o move em direção a novas visibilidades.

O que não se vê resiste

Assim acontece com tudo o que se tenta reprimir. Um povo perseguido ou ameaçado pode até andar dissimulado pelas ruas de uma qualquer cidade, pode até levar a cabeça mais baixa do que os outros, quem sabe, pode até ser empurrado para a discrição no autocarro, mas nunca é eliminado.

Haverá sempre quem se lembre. Sempre quem lhe pertença ou o sinta. Mas, sobretudo, quem continue simplesmente a sentir. A procurar explicações, a lutar contra injustiças, a ter borboletas na barriga, a querer aproximar corações ou apenas partilhar conversas, histórias ou canções.

Essas pessoas, os seus sentimentos e a sua legitimidade não podem ser apagados. Poderão andar mais retraídos. Poderá ser mais difícil encontrá-los, mais demorado, mas podem sempre ser encontrados, desde que haja alguém que se lembre de acender a luz.

O amor nos sinais mais discretos

Recentemente, isso tem sido algo que me fascina. Descobrir o amor, o carinho, a ternura nas outras pessoas. Ir mais fundo nas faces que se me apresentam.

Nem sempre é fácil. Nunca é igual. É impossível fazê-lo de forma superficial.

É necessária a partilha e é necessário que ambas as partes sejam apanhadas desprevenidas, muitas vezes sem saberem que o estão a ser. É preciso encontrar aquelas partes que não conhecem em si mesmas. Muitas vezes, porque lhes parecem tão óbvias ou que não lhes aparecem de todo, mas são precisamente essas que as distinguem.

O sorriso, a espontaneidade de uma resposta ou de uma solução, o silêncio, o interesse, as palavras que se escolhem, a hesitação, o tempo, tudo são fatores que revelam tanto sobre nós, se os soubermos ver e ouvir. Por vezes, somos surpreendidos. Eu, com certeza, tenho-me proposto a sê-lo.

Sobre ser surpreendido pelos outros

Sou surpreendido por pessoas tidas como pouco carinhosas e que revelam ter um grande coração. Surpreendido por pessoas, aparentemente com um percurso de vida regular, mas que revelam ter vivido mais de uma dezena de vezes.

Surpreendido pelo amor que se expressa em pequenas coisas, sejam atitudes, gestos, sorrisos, mas essencialmente a disponibilidade para a partilha.

Espalhar amor, espalhar propósito

É delicioso notar gestos de carinho num mundo consumido pelo ódio. Ele está lá. O amor está mais contido. As rugas dos sorrisos mostram-se menos. Um olhar sincero desvanece-se mais depressa. É preciso agarrar esses pequenos momentos. Nutri-los. Alimentá-los. Acima de tudo, é preciso compreender o outro, respeitá-lo, aceitá-lo e integrá-lo.

Talvez assim voltemos a ter as rugas dos nossos sorrisos. Talvez assim deixemos de fixar os ódios de cada dia. Certamente, conseguiremos voltar a espalhar o amor. Quem espalha amor espalha algo que nenhuma guerra conquista: propósito. Sem propósito, não há nada.

Talvez assim, eu também aprenda a amar mais e a ser amado. Obrigado a todas as pessoas com que me vou cruzando que ainda contribuem para espalhar o amor.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da Imagem da Capa: Gerado por Inteligência Artificial (Gemini)

Escrito por: José Pereira

Editado por: Rodrigo Caeiro

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