A morte da Contracultura

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É impressão minha ou, atualmente, a moda é cada vez mais conservadora e homogénea? Será isso um reflexo da geopolítica atual?

Nos anos 60 e 70, o mundo viu o nascer do Punk, do Rock e da cultura Hippie. Estes movimentos andavam de mãos dadas com várias reformas sociais exigidas na época: igualdade racial, igualdade de género e ideias anti-guerra (sobretudo contra a Guerra do Vietname), entre outras.

Enquanto os Punks vestiam casacos de cabedal e cortavam o cabelo estilo “moicano”, e os Hippies se cobriam de estampas psicodélicas nas suas calças à boca de sino, os influencers vestem-se como se fossem trabalhar para um escritório (sempre em tons castanho e bege). Vale ressaltar que gostos não se discutem, mas se querem que algo se torne tendência, até pode ser feio, mas não precisa de ser aborrecido!

Os mais velhos podem dizer que lutaram (com estilo) por um mundo melhor. Porém, se calhar, só o fizeram porque a geopolítica também lhes deu abertura para tal. Em contraposto, a Geração Z pode afirmar que o seu futuro não se apresenta tão brilhante e visionário como há 50 anos. A porta que este abre mostra fortes crises habitacionais, económicas, políticas e bélicas.

O conservadorismo não se reflete apenas nestas instabilidades. Também está presente na discussão dos direitos que, supostamente, já se davam como adquiridos. Por exemplo, observando num contexto nacional, recentemente houve um retrocesso na lei que permitia que jovens com menos de 18 anos pudessem mudar de género, assim como o aborto que, apesar de ser legal, tem sido, sem motivo aparente, alvo de várias contestações.

Não é só na roupa que a homogeneidade se espelha, é também na música. Não quer dizer que a música atual em si seja má, mas parece que a indústria musical se foca apenas em dois géneros:

  • Country Pop (ex: Sabrina Carpenter);
  • Músicas para tocar em casamentos (este nome é da minha auto recriação, dado que ainda ninguém inventou um nome para este género), (ex: Ordinary de Alex Warren).

Não é de estranhar que a Geração Z tem, cada vez mais, ouvido músicas antigas. Muitas delas até têm viralizado no Tiktok. É possível listar alguns exemplos – se não conhecerem alguma música, vale a pena pesquisar e ouvir, que de certeza vos vai soar familiar:

  • Duvet dos Bôa (2000);
  • Bless the Phone de Labi Siffre (1971);
  • Heaven Can Wait de Michael Jackson (2001);
  • Love Grows (Where My Rosemary Gows) de Edison Lighthouse (1970);
  • Running Up That Hill de Kate Bush (1985);
  • Prosmicuous de Nelly Furtado (2006);
  • Vienna de Billie Joel (1977).

Este conservadorismo é um espelho dos tempos obscuros que temos pela frente. Será que a Geração Z irá ver o despoletar de uma revolução, e será ela o seu motor? Cabe-nos a nós transformar o mundo!

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados

Fonte da imagem de capa: Pinterest

Escrito por: Sofia Bernardo

Editado por: Cristina Barradas

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