A corrupção estrutural nas Filipinas: o culminar de um grito de socorro 

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Durante o último mês, o arquipélago no Pacífico assistiu a uma profunda instabilidade social. Além de uma catástrofe natural, irrompeu uma onda de manifestações que provêm de uma revolta que perdura há décadas: a luta anticorrupção.

No passado dia 21 de setembro, milhares de populares protestaram nas ruas de Manila, capital das Filipinas, a exigir responsabilidade sobre os 1,9 biliões de pesos de prejuízo, alegadamente, desviados de projetos de controlo de inundações. As manifestações foram lideradas pela juventude estudantil e por diversos grupos de ativistas como o Tama Na e o Panatang Luntian Coalition

O ponto de ebulição que despertou a onda de revolta foi um conjunto de investigações sobre projetos milionários que nunca foram terminados ou que nunca chegaram a materializar-se fora dos contratos.

Fonte: Rappler

Um dos casos mais polémicos foi o do engenheiro Curlee Discaya, responsável por desenhar diversos projetos de controlo de cheias, que numa entrevista ostentou os seus oitenta carros, sendo quarenta deles de marcas de luxo. 

A descoberta deste caso e semelhantes ampliou a discussão sobre a corrupção estrutural na política do país, trazendo também debates sobre a existência de “dinastias” não formalizadas no regime democrático. Um dos argumentos utilizados é o facto de o atual chefe de Estado ser filho de Ferdinand Marcos, ex-presidente do país durante o período ditatorial da década de 70.

No meio da instabilidade política, no dia 30 de setembro o país foi abalado, na cidade de Cebu, por um terramoto de magnitude 6,9  que, até à data, registou 72 mortes. Em paralelo com as manifestações anticorrupção, as consequências da catástrofe, na segunda maior cidade do país, enfatizaram a urgência de reforçar a agenda política nacional para o combate à corrupção. 

A igreja de Daanbantayan destruída pelo terramoto do dia 30 de setembro de 2025 (Fonte: Phillstar)

Localizado no Anel de Fogo do Pacífico, a sua geografia torna-o um dos países mais afetados por desastres naturais, trazendo para o debate público a falta de planeamento e apoio logístico, efeitos secundários de uma das doenças crónicas do seu sistema político – a corrupção sistémica.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados

Fonte da imagem de capa: Aljazeera

Escrito por: Jenifer Longos

Editado por: Maria Francisca Salgueiro

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