Na manhã desta quinta-feira, o mundo acordou com uma notícia diferente. Entre as manchetes de tragédias, crises, catástrofes, surgiu uma palavra há muito esquecida quando se fala do Médio Oriente: paz.
Hamas e Israel assinaram a primeira fase de um acordo para cessar as hostilidades na Faixa de Gaza. Por alguns segundos, o planeta respirou aliviado.
Durante meses, anos, décadas, Gaza foi sinónimo de destruição. Um pedaço de terra onde a infância foi trocada pelo medo, onde o som mais comum era o das sirenes. Ver agora líderes a apertar as mãos (ou, pelo menos, a aceitar um documento que promete tréguas) é quase surreal. No entanto, é também um lembrete de que, até nas ruínas, pode nascer esperança.
O acordo prevê cessar-fogo temporário, troca de reféns e abertura de corredores humanitários. Para quem vive há tanto tempo entre escombros, essas palavras são mais do que política, são ar puro. São a promessa de uma noite sem explosões.
Mesmo que ainda falte o segundo passo, o terceiro e muitos outros, este primeiro gesto é uma pequena semente.
Claro que a desconfiança continua a pairar. Ninguém esquece quantas vezes a paz foi prometida e logo destruída por um míssil ou por uma vingança. As feridas são antigas e os fantasmas são muitos.
Há quem diga que esta trégua é apenas uma pausa estratégica, não uma reconciliação verdadeira. Talvez seja… mas, às vezes, as pausas também salvam vidas.
O mais difícil, penso, não seja assinar o acordo, mas mantê-lo vivo. Paz é uma construção diária, feita de paciência, coragem e empatia. Pois, não há vitória possível enquanto houver crianças que crescem sem conhecer o silêncio.
Aqui, do outro lado do mundo, na segurança da nossa faculdade, este conflito parece distante, mas não é. O que acontece em Gaza e Tel Aviv fala também sobre nós. Sobre o quanto nos custa compreender o outro, sobre a facilidade com que escolhemos lados e sobre o quanto precisamos de aprender a dialogar sem destruir.
Talvez seja essa a verdadeira lição que este acordo nos deixa. De que a paz começa onde termina o egoísmo.
Hoje, não sabemos se esta trégua vai durar. Contudo, talvez, por um instante, possamos acreditar que sim. Cada vez que uma arma se cala, mesmo que por pouco tempo, o mundo torna-se um lugar um pouco mais habitável. E, quem sabe, é nesses pequenos silêncios que a verdadeira paz começa a nascer.
Fonte da imagem de capa: Público
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do(a) autor(a), não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escrito por: Matilde Lima
Editado por: Rita Luís


Deixe um comentário