O preço de um “obrigada” deve ser, mais ou menos, o mesmo de deixar as pessoas saírem do metro, antes de se entrar. Não sei quanto custa ao certo, mas deve ser caro.
A inflação tem aumentado tanto que, a este ponto, até as regras cívicas e a atenção aos outros se tornaram incomportáveis. Os 200€ mínimos mensais no supermercado não deixam margem para pacotes de boa educação. Essa, tornou-se consumo supérfluo… compreende-se.
E, para compensar este aumento de preços – talvez até como forma de protesto -, andamos em grupos de 5 pelo passeio, convidando a pessoa que vem em sentido contrário a fazer o seu caminho pela estrada; passamos a passadeira pela zona de circulação ciclável, mesmo que a zona dos peões esteja livre, e ignoramos a fila ao entrar para o autocarro – pode ser que assim cheguemos ao nosso destino mais rápido.
Pergunto-me quando foi que se confundiu individualismo (como são descritos os cidadãos das médias e grandes cidades) com cegueira pelo que nos rodeia, e quando foi que a pressa se tornou tanta que um agradecimento passou a ser luxo.
Também me pergunto quando foi que deixámos de compreender que, se respeitarmos normas básicas – se respeitarmos o outro, no fundo -, essa pressa pode deixar de ser tanta. Afinal, quem quer sair no metro do Marquês fá-lo-á, mesmo que nos intercedamos no seu caminho; o autocarro não vai partir mais cedo por passarmos à frente dos outros e o semáforo não vai ficar mais tempo verde, por andarmos na ciclovia.
Instead, sujeitamo-nos a ser pisados, empurrados e a ser alvo de 30 palavrões à portuguesa diferentes, bem como à agradável situação de se ser atropelado por um velocípede. Se calhar, mais vale investir nesse tal pacote de boa educação e civismo.
Feitas as contas, como diz a minha avó do Alentejo, onde os preços ainda estão um pouco mais baixos: o barato sai caro.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem da capa: Pinterest
Escrito por: Cristina Barradas
Editado por: Rodrigo Caeiro


Deixe um comentário