Tempo

Escrito por

“Como seria o mundo se o tempo não passasse?”
A resposta é simples:
Permanecíamos e a mudança não ousaria existir.

“Que desilusão!”
Já eu? Não acho.

Se o tempo não passasse, não existiria dor nem saudade.
Não existiria a nostalgia nem o saudosismo.
Seríamos eternamente felizes como se lê nos contos,
como crianças que somente se preocupam com o sorrir, sentir e perdidamente ser.

Perdidos somos quando nos apercebemos da passagem implacável do tempo.
Olhamos para trás e vemos as memórias perdidas, as oportunidades não
agarradas pela ingenuidade e a essência do ser que se perdeu.
É doloroso.

Se o tempo não passasse, os que mais amamos não partiriam
e os que julgávamos amar, também não.
O amor verdadeiro não acabava, a coragem jovial não se evaporava,
e o mundo hipotético do “se” seria apenas um pesadelo de uma
madrugada húmida e fria.

O tempo é como se fosse veneno
Quanto mais rápido o bebemos, mais rápido deixamos de ser.
Por isso, não gosto do tempo.
Não gosto de carregá-lo todos os dias no meu pulso.
Não gosto de estar dependente de algo que me fere todos os dias.

Mas de nada adianta lamentar,
Pois o tempo está constantemente a passar.
Já eu?
Dolorosamente, sento-me, calo-me e consinto.

Fonte da Imagem de Capa: https://www.wikiart.org/pt/salvador-dali/a-persistencia-da-memoria-1931

Escrito por: Melissa Figueiredo

Editado por: Rita Luís

Deixe um comentário