Apaixona-te pelas reações, não pelas ações

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Uma vez estava a ter problemas amorosos e pedi ajuda à minha mãe. Ela é o tipo de mãe que primeiro brinca contigo e depois dá-te um conselho muito bom. Por isso, hoje partilho conselhos amorosos da Dona Lurdes.

Normalmente diz-se que as ações falam mais alto que as palavras. Mas até digo melhor, as reações mostram-nos tudo o que precisamos de saber sobre a outra pessoa. 

Vamos imaginar que foste sair com alguém, ela fez questão de marcar mesa no teu restaurante favorito e até te levou uma prenda. Quando passou por tua casa para te ir buscar estourou a pipoca quando percebeu que ainda não estavas arranjad@ a tempo. E ainda gritou coisas como, “Já viste o que estou a fazer por ti! Trato-te tão bem e nem és capaz de estar pront@ a tempo!”.

A reação da pessoa ganha rapidamente mais peso que a ação bonita que estava a tentar fazer. De que importa querer te agradar se numa coisa tão pequena como 5 minutos de atraso te trata mal? O que a maior parte de nós pensaria? “Epa se está enervad@ com isso imagina quando lhe der motivos a sério!”.

Isto acontece porque a reação normalmente não é pensada, nem delineada calmamente como as ações por norma são. Surgem dentro desse conflito de interesses – alguém quer algo e o outro pode-lhe dar. A reação é, por isso, uma miragem para o nosso carácter.

Fonte: Pinterest

Quando conhecemos alguém novo é normal ficarmos presos às ações e às palavras. O sentimento partilhado de afinidade transforma tudo o que o outro diz em algo giro, e tudo o que faz em algo incrível. E é suposto ser assim. Ora, como a minha mãe diz, “Se não é bom no início, não é bom nunca”. Eventualmente, essa fase acaba quando surgem os primeiros problemas a sério.

A forma como o outro encara e os resolve, ou não, é o maior preditor do sucesso, ou fracasso, de uma relação. Ou simplesmente se a pessoa é agradável de se ter por perto, já que o problema não está no erro em si. Todos nós nos atrasamos, interpretamos mal um comentário, no fundo, erramos. E se erro é sempre garantido, o foco deve estar na forma como lidamos com ele. 

Será que temos a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro? Há quem evite pedir desculpa, quem desvalorize o que o outro sente ou quem transforme uma conversa simples numa discussão estrondosa. 

É como a minha mãe diz, ações bonitas todos o fazem. Mesmo que pareçam mais comuns na geração dela do que na minha, é relativamente fácil marcar um jantar num sítio bonito ou lembrar-se de um detalhe dito numa conversa antiga. 

Assim, um gesto querido não vale tanto como uma reação saudável. Quando surgem problemas, é a forma como são enfrentados que determina o seu peso. Há casais que são compatíveis e se amam mas que se separam rapidamente, enquanto outros conseguem atravessar as fases difíceis. A diferença não assenta na ausência de conflitos, mas na forma como lidam com eles: na forma como reagem. É fácil ser cuidadoso quando tudo está bem. O difícil é sê-lo quando não está.

E assim, depois dessa conversa com a minha mãe entendi que não fazia sentido valorizar gestos bonitos se, nos momentos difíceis, a reação é desrespeitosa. E não digo que temos de agir perfeitamente todos os dias. Não é sobre um dia mau, mas sim sobre a forma como esses dias maus são percepcionados. E vale a pena mencionar que só podemos exigir uma reação saudável do outro lado se, nós próprios, o conseguirmos fazer. Senão está um lado a tentar lidar com o problema enquanto nós estamos já para lhe atirar uma cadeira na cabeça. Não é propriamente uma situação viável. O amor é, profundamente, uma dança a dois.

Fonte: Pinterest

Em suma, percebi que o que devo estar atenta não são as coisas queridas que as pessoas fazem, mas sim como lidam com o erro. O meu, o da própria pessoa e o erro dos outros. E se estão dispostos a ouvir e a querer ser melhores. 

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: Pinterest

Escrito por: Sara Reis

Editado por: Leonor Oliveira

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