Perguntei ao tempo, quanto tempo o tempo tem

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Quantas vezes já sentimos que o tempo passa demasiado rápido? Quantas vezes já olhámos para trás e nos apercebemos que, de repente, já se passaram meses e parece que não fizemos nada de mais?

É estranha essa sensação. Parece que, por mais que tentemos viver todos os minutos dos nossos dias, vamos sempre olhar para trás e assustarmo-nos com a rapidez com que os dias passam.

Ainda no outro dia falava com as minhas amigas do quão assustador e estranho é ver amigos nossos a licenciarem-se. E, honestamente, o mais estranho de tudo isso é mesmo pensar que nós somos as próximas.

Acho que no nosso coração haveremos de nos sentir sempre como caloiras e é por isso que nos assusta perceber que no próximo ano seremos o último ano do curso; que nós seremos as caras das finalistas que ficam marcadas na memória dos novos caloiros que aí vêm.

A passagem do tempo é mesmo uma coisa única. Há dias que parecem intermináveis, há dias que parecem que passam num piscar de olhos. Mas haverá sempre de haver a sensação de, num dia aleatório, olharmos para trás e ficarmos indignados com tudo o que já passou.

Sinto que esta indignação vem, principalmente, por termos sempre a sensação de que não fizemos o suficiente. Que passou imenso tempo e que parece que não alcançámos realmente alguma coisa que seja digna de se relembrar.

Acima de tudo, acho que é uma questão de perspetiva. Relembrarmo-nos que só o simples facto de nos levantarmos todos os dias da cama já é suficiente para nos sentirmos felizes.

Claro que temos de ter determinados objetivos a alcançar, mas é preciso termos noção de que todos os dias são necessários e importantes. Tanto os dias comuns e monótonos, como os dias atarefados em que não temos uma pausa para respirar, são os que constroem a nossa história. Letra a letra, página a página, capítulo a capítulo, a nossa história vai se compondo. E, como sabemos, todos estes elementos são fundamentais para o produto final. Tal como um livro precisa de tudo isto, nós próprios temos de vivenciar um bocadinho de tudo.

Sinto que é aqui que, pelo menos falando por mim, temos de fazer este exercício e entender que a passagem do tempo não é, de todo, uma coisa negativa.

A cada dia que passa conhecemos e vivemos coisas novas. A cada dia que passa guardamos mais memórias e experiências. E todos, todos, todos os dias são importantes. O que importa é, no fim de tudo, olharmos para trás e estarmos realmente felizes com todas as oportunidades que apareceram e todos os momentos que pudemos viver. Se tu sentes que não estás a viver todos os dias ao máximo, quem é que o fará por ti?

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da Imagem de Capa: Pinterest

Escrito por: Leonor Oliveira

Editado por: Maria Francisca Salgueiro

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