Grandeur & Ordnung

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Sem eixo franco-alemão – cuja narrativa conjunta é reminiscente ora dum carrossel, ora dum reator nuclear – não há Europa (unida para o futuro).

Dantes províncias bárbaras, periféricas aos domínios de Roma Antiga, as terras das futuras (em relação a então) França e Alemanha tornam-se eventualmente dignas do estatuto de trono do mundo civilizado, se bem que sempre com mais do que um – no mínimo – pretendente ao mesmo tempo.
A sua relação será sempre única no rol das relações externas de ambos os países para com o resto do Mundo, considerando-se tanto a fluidez fronteiriça ao longo dos séculos como a transposição dessa mesma rivalidade para o continente africano durante a época colonial.

Hoje em dia, a mesma, pode ser observada através de muitas lentes e em vários domínios – e uma tão ilustrativa quão interessante por si só, é o recente defunto programa “Future Combat Air System” (FCAS), que terá custado cerca de 3 mil milhões de euros (se bem que apenas 3 dos 100 totais projetados, note-se) ao longo de quase 10 anos de “operacionalidade” (entre mais aspas do que as aqui usadas). Ambicionando uma sinergia industrial não só afim de substituir os jatos militares franceses e alemães como também capaz de servir como o alicerce técnico e tecnológico dum eventual complexo soberano europeu (específica- e propositadamente à parte dos E.U.A.), o projeto afunda-se sob o peso de divergências, logísticas e laborais, exacerbadas pela necessidade da canalização de fluxos de capitais para o esforço de guerra na Ucrânia. E a Alemanha coloca o ponto final.

Ambos os países encontram-se atualmente com embalos político-partidários internos com inclinações, na menos má das hipóteses, conservadoras, e, na pior, radicais, mas flagrantemente opostas ao projeto europeu (que nunca esteve tão no fio da navalha como agora) – e igualmente ambos se prestam a eleições presidenciais no próximo ano – pelo que “o coração & o cérebro” da Europa podem estar em risco do que quer que seja que medicamente possa ser usado como a analogia duma possível espiral decrescente que poderá comprometer os sempre periclitantes equilíbrios em que tanto um país como o outro se têm mantido nestas recentes décadas, afim de evitarem desenlaces tanto duma grandiosidade com as ganas de incorrer num orgulho intransigente, como duma ordem no suspense de incorrer num dirigismo insidioso – tal como certos e determinados precedentes históricos nos mostram.

E nós, do jardim à beira-mar, testemunhamos.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: https://www.reuters.com/

Escrito por: Daniel Rúben

Editado por: Francisca Lousada Silva

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