Com certeza, quase toda a gente já ouviu esta frase. Algumas pessoas acreditam nela, outras não. Bem, eu faço parte das que acreditam e, se me perguntarem se isso é bom ou mau, direi que não sei responder a essa pergunta.
“A esperança é a última que morre”… mas o que é que alguém tem que aguentar para continuar a acreditar nisso? Quantas vezes é preciso nos desiludirmos, quantas vezes a vida nos diz “não”, quantos silêncios temos de aguentar até percebermos se vale mesmo a pena continuar a ter esperança? E mesmo assim, e apesar de tudo, se calhar continuamos. Se calhar somos apenas pessoas iludidas, agarrados a algo ou a uma ideia que nos impede de desistir completamente. Ou talvez sejamos apenas corajosos por ver algum ínfimo raio de luz onde às vezes parece apenas haver escuridão.
A esperança pode ser um amparo e um abrigo, mas também pode ser um peso na nossa vida. Esta mera palavra, que significa tanto, dá-nos força para continuar, mesmo quando tudo parece dizer o contrário, mas também nos prende a possibilidades que talvez nunca se realizem. É um equilíbrio contraditório e agridoce entre acreditar e aceitar, entre lutar e deixar ir. E, no meio de tudo isto, enquanto vivemos com esta frase na nossa mente, vamos aprendendo até onde devemos ir, mas também quando devemos simplesmente seguir em frente.
Talvez a esperança não seja sobre ter a certeza sobre algo, mas sim sobre continuar mesmo sem ela. E talvez, para quem acredita nela, seja isso que faz com que a vida consiga ter significado e com que consigamos manter algo vivo cá dentro: uma pequena e determinante vontade de acreditar que algo pode melhorar, seja quando for, demore o tempo que demorar e, se houver sequer uma possibilidade de tal acontecer.
Se isto é bom ou mau, continuo ainda a não ter resposta. Mas, enquanto não descubro, acho que vou ser das pessoas que continuam a escolher acreditar, porque, no fundo, há algo dentro de mim que se recusa a deixar a esperança morrer.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Pinterest
Escrito por: Catarina Russo
Editado por: Carolina Dinis


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