Para onde vai a vontade de contar tudo a alguém?
Quando o dia termina e me sobra tanto para dizer,
quando o teu nome ainda é casa, ainda é o lugar de onde venho,
mas já não há porta que eu possa abrir para te ver.
E é a casa que fica maior
ou sou eu que já não caibo aqui?
Há silêncios que ocupam mais espaço do que a dor,
há ausências que levam tudo sem sair daqui.
Às vezes, estás num perfume,
numa rua que não tem nada de teu,
numa canção que me interrompe a vida
e, por um instante, me devolve o que se perdeu.
Talvez o amor não acabe.
Talvez apenas mude de lugar.
Deixe de morar nos braços
e aprenda, em silêncio, a ficar.
O mais difícil não é a despedida,
é tudo o que a vida ainda me há de trazer.
Saber que haverá tanto de novo,
que já não vou poder ver-te a conhecer.
E se me perguntarem onde estás,
talvez não saiba o que dizer.
Há pessoas que partem sem partir de nós,
há amores que nem o tempo faz desaparecer.
Talvez tenhas mudado de morada,
para um lugar que não sei alcançar.
E eu continuo a deixar a luz acesa,
como se ainda pudesses voltar.
Porque há pessoas que o tempo nunca leva,
mesmo que as afaste do nosso olhar.
Ficam naquilo que em nós permanece,
na sua forma tão sua de nos ensinar a amar.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Autoral
Escrito por: Gabriela Dias Martins
Editado por: Maria Francisca Salgueiro


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