Há coisas na vida que perdemos porque vamos tarde demais… porque respondemos tarde demais… porque demoramos a perdoar… porque achamos que nunca estamos errados. Isto tudo até ao nosso orgulho ser esmagado pela saudade, pela angústia de perder e pelo tempo perdido.
Às vezes um abraço que podia desarmar qualquer guerra, esse abraço, deixa de existir. E porquê? Talvez porque o tempo passa e não espera que esteja tudo bem. E talvez quando a consciência reaparece, a consciência esmagadora de culpa, talvez essa consciência venha atrasada e talvez seja tarde demais para ir atrás.
E porquê tudo isto? Porquê a constante escolha entre o orgulho e o amor? Porque é que em vez de gritos não se escolhe abraços?
Um mero minuto era o tempo suficiente de um “desculpa”, de uma chamada ou de um silêncio revelador de saudade. Mas não… Escolhi um minuto a mais de raiva, conflito e gritos, e perdi… Perdi a última oportunidade que tinha de perdoar, de ser perdoada, e nem sequer sabia que era a última vez.
E o que magoa é saber que a escolha foi minha de deixar ir, de perder o último abraço ou o último beijo. O tempo passou e hoje não me podes ouvir, ver, nem sentir, e hoje sinto que pedir desculpa já não serve…
E o que fica no final? O orgulho que serviu de entrave para me desculpar? Apenas restou dor e revolta por te perder e nem sequer saber que te ia perder. E foi a última vez e ninguém me avisou porque se soubesse teria feito diferente…
Porque é que todos vivemos como se houvesse tempo amanhã? Como se tivéssemos tempo para depois pedir desculpa, para depois abraçar ou para depois falar sobre isso. O tempo não avisa quando é a última vez e nós vivemos a acreditar que o tempo não passa até estar tudo bem… mas não… nós não sabemos se amanhã ainda podemos pedir desculpas porque a última vez não avisa que está a chegar, ela apenas chega…
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo, ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Free photo library
Escrito por: Mariana Silva
Editado por: Rodrigo Caeiro


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