Apesar da ligação, a solidão prevalece

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A forma como o avanço na tecnologia e as redes sociais vieram (ou não) ajudar-nos na comunicação e o sentimento que trazem.

No ano em que nos encontramos, o habitual e o que é considerado “normal” é todos usarmos as redes sociais. Mas será que isso realmente nos ajuda ou só prejudica?

Basta olharmos à nossa volta para entendermos. Vemos crianças em restaurantes com os pais ou avós e, muitas das vezes, as crianças encontram-se num telemóvel ou num tablet completamente desligadas da realidade que se encontra à sua volta. Isto não é algo recente, mas que tem vindo a acontecer cada vez mais com o decorrer dos anos.

Não são só as crianças, mas também os adolescentes e adultos têm entrado nesta “prisão” em relação às redes sociais. Existem cada vez mais pessoas que utilizam o ChatGPT como um meio de desabafo ou como um “amigo”. Para além disto, parece que não conseguem formar as suas próprias ideias sem a ajuda do mesmo, precisam deste para tudo na vida, até para ajudar nas relações com outras pessoas. Vivemos tão ligados aos telemóveis que, por vezes, perdemos a noção da realidade e das pessoas à nossa volta.

Estas inovações vieram a ser uma mais-valia para pessoas a viverem longe de família e amigos, tendo facilmente o acesso a mensagens e chamadas apesar da distância, tornando-se um “refúgio” para pessoas nestas situações.

Por outro lado, também começámos a observar um declínio na interação social entre pessoas ao longo dos anos. Encontros presenciais, refeições em família sem nenhum dispositivo à frente, viver sem sentir a necessidade de fotografar tudo, cartas escritas e enviadas, entre vários outros exemplos, têm vindo a tornar-se cada vez mais raros.

Sentimos a necessidade de estar sempre a olhar para o telemóvel, mesmo naqueles pequenos momentos em que estamos à espera que a comida aqueça no micro-ondas, ou à espera na fila do supermercado. É como se o conceito de “esperar” tivesse deixado de existir.

É isto que tem vindo a fazer com que a ligação com as outras pessoas pareça que tenha deixado de ser “verdadeira”. Passamos tanto tempo da nossa vida a olhar para um ecrã, presos num mundo virtual, que acabamos por nos esquecer do mundo à nossa volta.

Isto acaba por criar um sentimento de solidão que tem vindo a tornar-se maior conforme os avanços aparecem. Não temos a mesma conexão com as pessoas por acharmos que falar por trás de um ecrã já é suficiente. Perdemos aqueles aspetos importantes da nossa vida que os nossos antepassados viveram por acharmos que ficarmos presos em casa com um ecrã à frente chega a ser suficiente e traz-nos felicidade, quando na verdade isso não é viver, mas sim uma realidade em que vivemos durante tanto tempo que acabou por tornar-se a nossa vida.

Em suma, por um lado, a tecnologia e, especificamente, as redes sociais surgiram como uma ajuda na comunicação, ao mostrar-nos uma realidade com mensagens e chamadas, abrindo caminho para uma nova forma de comunicação.

Por outro lado, levámos essa comunicação por mensagens tão longe que muitas pessoas deixaram de se preocupar em estar com amigos e família pessoalmente, criando um afastamento físico das pessoas e trazendo uma solidão na vida de muitos. Esta é a realidade de muitos, apesar de não ser sempre visível.

Por vezes, até é agradável termos um dia só para nós em que ficamos em casa a descansar, seja a ver televisão, a ouvir música, a ler, mas isso não significa que tenhamos de resumir a nossa vida somente a isso.

A ligação, apesar de continuar a existir em muitos casos, não é a mesma que seria há vários anos e não damos a devida importância que devíamos ao desaparecimento da mesma das nossas vidas.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da Imagem de Capa: Cleveland Clinic

Escrito por: Leonor Mateus

Editado por: Maria Francisca Salgueiro

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