Acordas e despachas-te às pressas, é um dia como todos os outros. Vestes a primeira roupa que encontras, comes meia torrada e sais de casa a correr para apanhar os transportes, afinal, ainda são duas horas de viagem até à faculdade. Assim que te sentas no autocarro, apercebes-te: não trouxeste os fones. E agora?
Eu sei, também já me aconteceu. E sim, a minha vontade também foi de voltar para trás e chegar atrasada só para os ir buscar. Mas será que não conseguimos viver sem repudiar o silêncio?
É no silêncio que nos confrontamos com as nossas próprias ideias, pensamentos e emoções. É no silêncio que se desenvolvem diálogos internos importantíssimos. E num mundo tão digital como o nosso, onde podemos falar com alguém do outro lado do mundo em questão de segundos, temos a tendência de evitar conversar connosco próprios.
Por vezes, o silêncio pode significar o abismo. Pode significar a falta de controlo, o que, para alguns controlfreaks como eu, não é uma sensação propriamente agradável. Mas é em momentos como esses em que nos vamos descobrindo, que desenvolvemos espírito crítico e que tomamos consciência daquilo que somos.
Com isto, não quero dizer que não podemos ouvir música durante o banho ou que as conversas que temos com os nossos amigos são menos importantes do que aquelas que temos internamente. Nada disso. Apenas quero reforçar a ideia de que vivemos numa sociedade de consumo imediato, onde muitas das vezes temos a tendência de consumir para tentar calar algo que existe dentro de nós. E é importante ouvir a pessoa que melhor nos conhece: nós próprios.
Assim, desafio-te a passar um momento do teu dia em silêncio. Pode ser ao almoço, na viagem até casa, no banho que tomas ao final do dia ou até na sala de espera para uma consulta. Experimenta viver o momento presente sem distrações externas. No início, pode ser difícil, mas acredita que é também libertador.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da Imagem de Capa: Maria Francisca Salgueiro
Escrito por: Maria Francisca Salgueiro
Editado por: Íngride Pais


Deixe um comentário