Da censura à era digital: o 25 de Abril visto pelos jovens

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Cinco décadas depois da Revolução dos Cravos, o 25 de abril continua a ser um marco incontornável e extremamente importante na história do nosso país. No entanto, a forma como este marco é interpretado pelas gerações mais novas, especialmente pela geração Z, não é a mesma que a de alguém que passou por uma ditadura, por um silêncio forçado, por uma ausência de liberdade.

Esta diferença de experiências criou, inevitavelmente, um distanciamento. E embora também possa ter gerado novas formas de aproximação, contribuiu para um desinteresse por parte de alguns jovens.

Para quem nasceu antes da década de 90, a realidade foi outra. O 25 de abril não foi simplesmente um capítulo nos manuais de história, foi um testemunho real e direto do que era viver reprimido e censurado. Essa geração sabe o que significa verdadeiramente a palavra “democracia”, pois vivenciou o peso que é viver sem ela.

Já a geração Z só, a conhece pelos seus registos, pelo que ouve dela, pelo que lê; pelas histórias ainda contadas por aqueles que não tiveram a sorte de a viver.

Acredito que as novas gerações, por não terem tido esse contacto direto com este marco tão importante, olhem para o dia com um certo distanciamento.

No entanto, esse afastamento não significa, necessariamente, desinteresse. Existe, de facto, uma reaproximação de muitos jovens pela História, pela defesa dos direitos humanos e pela liberdade de expressão, temas esses que ganharam relevância na era digital, e que nos mostram que a luta pela liberdade continua presente, apesar de ser demonstrada de outras formas.

Assim sendo, a relação entre o 25 de abril e a geração Z não é, de todo, linear.  Há quem o veja como um feriado distante, e há quem o viva intensamente. O que é certo é que, 52 anos depois, Abril continua vivo, não porque todos o vivem e celebram, mas porque a luta pela liberdade e pela democracia nunca poderá morrer.

Fonte da imagem de capa: Jean-Claude Francolon

Escrito por: Leonor Pinela

Editado por: Cristina Barradas

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