Prática musical inclusiva em Portugal

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A Direção-Geral das Artes está a desenvolver um Mapeamento e Estudo sobre a prática musical inclusiva em Portugal na infância, adolescência e juventude, com o objetivo de compreender o impacto da prática musical no desenvolvimento das crianças. O jornal desacordo esteve presente na sessão online de apresentação.

Iniciada pela intervenção do Diretor-Geral das Artes, Américo Rodrigres, e contando com a apresentação do projeto pela investigadora Sofia Vieira Lopes, a apresentação online do projeto realizou-se no passado dia 16 de março, assinalando, simbolicamente, o Dia Europeu da Música nas Escolas, que se celebra a 15 de março.

Na DGARTES, a definição de prática musical inclusiva é uma atividade artística, educativa e comunitária, centrada na promoção do desenvolvimento pessoal e artístico de jovens de diferentes origens, capacidades e contextos socioculturais. No entanto, esta não é uma definição universal. O termo “prática musical inclusiva” ainda carece de uma conceito que todos entendam da mesma forma, o que abriu portas a que este estudo pudesse desconstruir e reconstruir a ideia que já se tinha do mesmo.

O projeto teve início em março de 2025, com encontros exploratórios na Vila de Arronches, no distrito de Portalegre, que serviram como ponto de partida para o mapeamento posteriormente desenvolvido. Na primeira sessão explanatória, estiveram presentes 12 projetos selecionados: 4 do espaço iberno-americano, três do espaço nacional.

Para chegar às várias entidades, a DGARTES fez uma chamada pública e um questionário online, aberto durantre três meses e contou, ainda, com o apoio dos 308 municípios portugueses, que contribuíram com informação sobre iniciativas já existentes nos seus territórios. A partir destas respostas, foram selecionados os projetos a integrar o estudo.

O primeiro encontro entre grupos foi um importante ponto de arranque para conhecer a diversidade de projetos que já se encontravam em território nacional. Segundo o Diretor-Geral das Artes, Dr. Américo Rodrigues, este encontro, bem como o espaço de partillha de experiências e conhecimentos entre os presentes que daí surgiu, foi fundamental para a evolução do projeto e conexão entre os vários membros.

Esta é uma iniciativa pioneira no que diz respeito ao espaço ibero-americano, o que tornou o projeto “desafiante mas, ao mesmo tempo, muito motivador”, como definido pelo Diretor.

Para começar o Mapeamento, foram necessárias investigações éticas e conceputais no contexto teórico e antropológico, desenvolvidas pelo CIPM, no Porto, pelo INETMD, e pelos investigadores Alix Sarrouy e Lopes e Mata (2017), órgãos e profissionais mencionados, com mérito, na sessão de apresentação.

Os resultados do mapeamento demonstraram, acima de tudo, uma forte presença de iniciativas locais portuguesas, e permitiram distinguir projetos emergentes – cujo crescimento tem sido rápido, mas que se encontram numa fase de aprendizagem -, de projetos já consolidados, mais estruturados e com metodologias definidas.

Comparando os dois tipos de projeto, conclui-se que, para ambos, são importantes as parcerias com escolas, autarquias e associações, e que existe uma necessidade de reforçar a sua importância e de as alagar.

O financiamento surge, no entanto, como principal desafio, condicionado a continuidade dos projetos e dos recursos disponíveis para o seu desenvolvimento.

Este Mapeamento e Estudo funciona, assim, como um ponto de ponto de partida para um maior aprofundamento das vantagens da prática musical inclusiva, no panorama português, trazendo oportunidades de crescimento a projetos e comunidades locais.

Fonte da Imagem de Capa: DGARTES

Escrito por: Cristina Barradas

Editado por: Íngride Pais

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