Este texto é uma reflexão para todos os que ambicionaram algo e quando conseguiram chegar ao seu objetivo caíram no abismo do tédio de possuir, incluindo eu.
A vida é feita de sonhos, alguns deles passageiros, mas outros são sonhos para a vida.
Para mim entrar na universidade era um sonho para a vida. Durante todo o meu percurso escolar tive essa ambição. Todas as avaliações, atividades extracurriculares e até mesmo o meu comportamento foram sempre moldados para um objetivo: alcançar uma nota excelente para entrar na universidade.
Bem, isso realmente aconteceu, a prova disso é estarem a ler este artigo.
A questão é que agora que cheguei ao objetivo ele virou uma rotina, algo quotidiano que se repete todas as semanas. Acordo, apanho milhares de transportes públicos, chego à faculdade, vou às aulas, quando acabam as aulas volto para casa, estudo e depois vou dormir. Esta rotina repete-se em loop, e algo que já é tão habitual perde o valor. Já dizia aquela frase famosa “A ânsia de ter e o tédio de possuir“.
Refletindo sobre isso, percebi que nós damos muito mais valor a coisas que não temos e não sabemos se vamos ter do que às coisas que de facto já nos rodeiam e que conseguimos alcançar. Isto não é ingratidão, mas sim uma adaptação quase que natural ao que vivemos agora. Apesar de ser consciente disso, eu já o faço com naturalidade. Sinto que é como se depois de passar uma meta precisasse imediatamente de chegar à próxima.
Tal como o boneco Pac-Man, que passa pelo labirinto para comer todas as pastilhas e quando completa o objetivo passa para outro nível, também passo por vários desafios e quando realizo o meu sonho já estou a pensar em outro.
Os efeitos deste ciclo podem ser prejudiciais para a nossa saúde mental, criando mais ansiedade e aumentando o nosso sentimento de não estarmos completos com a vida que temos. Em vez de nos sentirmos orgulhosos por ter alcançado o que somos ou até mesmo atribuirmos valor ao tempo gasto, choros silenciosos e saídas com amigos perdidas, olhamos apenas para o futuro e vivemos constantemente a olhar para lá.
Caros leitores, talvez o que realmente precisamos é olhar à nossa volta, analisar o que já conseguimos alcançar até aqui ,apesar de todas as adversidades, e aproveitar. E o mais importante dar valor ao que nos fez chegar aqui. No fundo, não precisamos apenas de ter tudo o que queremos, mas sim dar valor à nossa maior certeza: o agora.
Vou tentar fazer isso e lanço-vos o desafio também.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Pinterest
Escrito por: Inês Paulino
Editado por: Margarida Simões


Deixe um comentário