A AI tem sido um interveniente cada vez mais presente no nosso quotidiano, sendo ela também alvo de debates éticos quanto à sua utilização, sobretudo nas artes (jornalismo, pintura, cinema…). Mas na música, que risco é que ela representa?
Antes de explorar a questão acima colocada, há que ter em conta um aspecto que quase ninguém fala. Dentro da indústria musical, a maioria dos popstars não compõem aquilo que cantam. Normalmente, há uma equipa de compositores num estúdio, responsáveis por compor a música e criar uma letra. Após feita a composição, contactam vários cantores e decidem quem canta.
Ora, então, qual é a diferença entre um cantor que chega a um estúdio e que só canta, entre um cantor que pede à IA para lhe compor uma música? Ou seja, quem acaba por ficar mais vulnerável são os compositores que, simplesmente, preferem não mostrar a cara e vender as suas músicas para alguém famoso (pois nem todos se sentem à vontade para se exporem diante de uma câmara).
Mas não é só a música em si que pode ser fabricada por inteligência artificial, o próprio cantor, também pode ser um produto da máquina. Estes “artistas” têm perfis criados em plataformas como o Instagram e o Spotify, e é aqui que nasce a dúvida se o que estamos a ouvir é realmente verdadeiro, ou se é conteúdo automatizado.
Vi um vídeo do Rick Beato (https://youtu.be/7XGct4rbYfI?si=BLk_ZMg1xllNcnem), um produtor e professor de música, no YouTube, no qual ele compara duas artistas, uma real, a Victoria Monet, e uma gerada por AI, a Sienna Rose. Ambas têm cerca de 4 milhões de ouvintes mensais no Spotify, a única diferença está no número de streams que cada uma tem. Enquanto Victoria tem músicas com mais de 100 milhões de streams, Sienna só tem uma música, que ultrapassa os 10 milhões, um número relativamente baixo para quem tem 4 milhões de ouvintes. Também há uma falta de congruência no número de seguidores do Instagram. Victoria tem cerca de 2 milhões de seguidores, e Sienna tem pouco mais de 6000…. Porque é que o Spotify permitiria artistas AI na sua plataforma? Não colocará em causa a sua credibilidade? Vale ressaltar que este vídeo já foi publicado há quase 2 meses, pelo que é possível que estes números tenham sofrido alterações.
O ser humano sempre teve, e sempre terá, a necessidade de criar para poder expressar-se Mesmo que existam músicas compostas por máquinas, acredito que estas não se irão sobrepor à criatividade e conexão humana. Ainda mais hoje em dia, visto que tem havido uma crescente atenção em educar o público para distinguir conteúdo automatizado de conteúdo humano.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da Imagem de Capa: Pinterest
Escrito por: Sofia Bernardo
Editado por: Maria Francisca Salgueiro


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