Ready or Not: Here We Go Again

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O desacordo marcou presença no visionamento de imprensa de Ready or Not: Here I Come na passada quarta-feira, à espera de reencontrar o caos sangrento original e irreverente que tornaram o primeiro filme memorável. Assim sendo, preparada ou não para mais uma sequela, cá vou eu.

Sete anos depois do primeiro Ready or Not, este lançamento é, no mínimo, inesperado. Numa altura em que Hollywood parece incapaz de deixar qualquer ideia minimamente rentável em paz, Ready or Not: Here I Come regressa sem grande necessidade, mas com a certeza de que foi feito a pensar nos fãs.

Convém esclarecer: isto não é terror para assustar ninguém. É o tipo de filme que veste o horror, mas funciona sobretudo como comédia negra caótica, mais interessado em arrancar gargalhadas do que gritos. E, nesse registo, continua a resultar. Muito por culpa de Samara Weaving, que regressa como Grace com a mesma energia feroz do original, como se estes sete anos tivessem sido apenas um fim de semana prolongado. Se o conceito de final girl ainda vos soa a uma protagonista ingénua, tontinha e sempre a tropeçar na pior decisão possível, Grace faz questão de corrigir isso: é afiada, resiliente e absolutamente dona do seu próprio caos.

Dito isto, não quero parecer artificialmente entusiasmada, portanto cá vai: é o tipo de sequela que se vê bem e se esquece melhor.

Há filmes que são maus, há filmes que são ótimos e depois há filmes como este. É divertido, é competente, é caótico, e é completamente dispensável. Entretém durante hora e meia, mas desaparece da minha cabeça quase no minuto em que começam os créditos. A questão é que nunca tenta ser mais do que isto.

A fórmula de 2019 mantém-se praticamente intacta, pois claro, quando o molho é bom, não se mexe na receita. Para quem adorou o primeiro, isso será decerto uma vantagem. Ainda assim, entre uma narrativa previsível e um subplot de drama familiar que pouco ou nada me interessou, o filme instala-se confortavelmente no território do 5/10. Não vai mudar vidas, mas também nem todos os filmes têm de o fazer.

O final é um dos seus melhores trunfos: divertido, inesperadamente eficaz e suficientemente forte para fechar tudo com dignidade. Idealmente, por aqui ficávamos. Porque há franchises que sabem quando sair de cena e outros que acabam a pedir comparação à saga Scream, pelos piores motivos.

Também vale a pena criticar o timing, que não é o ideal para esta temática, já que satirizar elites obscuras que controlam tudo e fazem o impensável já não aterra no território do absurdo com a mesma facilidade de antigamente. A realidade tem insistido, com algum empenho, em tornar o impensável plausível. Mas foi esse o caminho escolhido e… é certamente uma decisão.

Dado o exposto, Ready or Not “A Sequela” não me deu grandes razões para o recomendar nem para o desaconselhar dramaticamente. É entretenimento de uma noite — e só. Vi, diverti-me, segui em frente.

Obrigada ao desacordo e à Brieftwice.

Ready or Not: Here I Come já está nos cinemas.

Este artigo é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: PosterSpy

Escrito por: Nina Silva

Editado por: Rita Luís

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