O estudante deslocado vive duas vidas ao mesmo tempo: a vida que deixou na sua terra e a que está a construir na cidade onde estuda. Duas linhas que nem sempre se cruzam e, muitas vezes, não são compatíveis. O que ele sente em relação a isso pode ser mais complexo do que aquilo que se imagina.
O estudante deslocado saiu da terra que o viu crescer. Foi em busca de novas oportunidades que não existiam onde ele estava. Ou então precisava de uma mudança radical na sua vida. Talvez tenha ido para a única cidade onde tinha uma casa para ficar, pois a sua condição financeira não lhe permitiu ir para a sua primeira opção. Se calhar não tinha média para entrar onde realmente queria.
A adaptação pode ser muito fácil e leve, ou então difícil e demorada. O estudante deslocado tem de se ambientar a um novo sítio, a um novo quarto, a uma nova rotina, a novas pessoas… A uma nova vida. Não sabe se vai correr bem, ou quanto tempo vai demorar até se habituar.
Pode adorar a sua nova cidade logo após uns dias, como pode demorar a ajustar-se. Talvez aprenda a gostar de estar ali, ou então nunca vai gostar e, assim que acabar o curso, regressa à terra.
Aqueles que mais ama estão a uns quantos quilómetros de distância. Os seus portos seguros, a quem se podia agarrar no meio da intempérie, estão mais longe do que aquilo a que estava habituado. Contudo, ele vai encontrar outras pessoas em quem vai poder confiar. Elas vão tornar-se os novos portos seguros.
O estudante deslocado forma, assim, duas famílias: as pessoas da universidade e as pessoas da terra. As duas são igualmente importantes para ele.
Os dois grupos têm uma coisa em comum: o amor ao estudante deslocado. Podem nem sempre compreender o que ele sente, uma vez que só acompanham diretamente uma das realidades. Mas ambos vão estar lá para abrigar o estudante deslocado nos dias de tormenta. Ambos querem o melhor para ele. Ninguém substitui ninguém, todos têm o seu lugar marcado no coração do estudante deslocado.
Quando as suas duas vidas se cruzam, o estudante deslocado sente que está (finalmente) completo. Mesmo que seja por um curto período de tempo – é o suficiente.
Todos conhecemos um estudante deslocado. Seja um amigo, um colega da antiga turma do secundário, um irmão, o filho do vizinho… Ou mesmo tu.
No fim do dia, a verdadeira casa do estudante deslocado são as pessoas que guarda no seu coração.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem da capa: Pinterest
Escrito por: Íngride Pais
Editado por: Maria Francisca Salgueiro


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