O desacordo do “Sr. Engenheiro”: (Alegadamente) Um Artigo

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A Operação Marquês acumula, desde o seu início em 2013, variadíssimas perguntas. Respostas, nem tanto. A situação conjura-se de tal forma que parece uma comédia. Agora, através da produtora UAU, não só parece – é. Conhece o espetáculo “Sr. Engenheiro” (Alegadamente) Um Musical” através dos olhos do Jornal desacordo, que esteve presente na conferência de imprensa a 27 de janeiro de 2026.

 Esta fantástica história de um “antigo primeiro-ministro” surge da mente do roteirista do “Curral de Moinas” e “7 Pecados Rurais”, usufruindo de uma personagem familiar que, segundo o próprio, integra o imaginário coletivo português: o Sr. Engenheiro. Embora exibindo-se nas aldeias como uma figura de importância soberba, portando como acessório o usual cachimbo e indumentária profissional, este exala os ócios mais comuns da sociedade lusitana: corrupção e luxúria. A ideia vai mais além na figura de José Sócrates, interpretado por Manuel Marques, conjurando-se num nexo mais específico, mas tão geral quanto. Tendo vivido dois anos “no Norte”, como nos conta, Henrique Dias alerta-nos para “não confundirmos o Sr. Engenheiro” com este personagem-tipo da aldeia, estando o nome profundamente interligado “ao facto de José Sócrates dizer que é engenheiro, embora a Ordem dos Engenheiros diga que ele não o é”. Num musical carregado de simbolismos e referências, nem as aspas se devem pensar de enfeite: “Houve uma altura em que escolhemos a opção de, em vez de termos o nome dele, o que elevaria o espetáculo a algo político, selecionarmos algo mais difuso. E está entre aspas – há muitas pessoas que não apanham este pormenor”, comenta o roteirista, em referência ao litígio anteriormente mencionado e à escolha do título.

 No que toca a episódios conhecidos, já possuímos uma lista de personagens infalíveis que podem indicar os momentos abordados: o Melhor amigo, a Assessora, o Motorista e o Procurador. Fala-se até do Entregador de Pizza, numa cena que promete extra humor, sátira… e é só. Até o hino de apoio “Obrigado José Sócrates” terá o seu instante para brilhar, garantindo Henrique que “não há apropriação da música, mas há um momento que retrata a altura”.

 Todos os presentes na conferência de imprensa demonstraram uma vasta paixão pela obra, lançando pequenas informações que nos permitiram alinhar expectativas com o que foi realmente produzido, aliando-se ao evidente cuidado de nunca revelar demasiado a ouvidos curiosos. Resta-nos aguardar a chegada do musical ao palco, num dia que, de tão adequado, parece mentira: 1 de abril de 2026.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: uau.pt

Escrito por: Raquel Pedroso

Editado por: Maria Francisca Salgueiro

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