“SUPER MÃES”

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”Mães” é um musical da autoria de Sue Fabisch que, sob a encenação de Ricardo Neves-Neves, tem sido um sucesso de bilheteira no Teatro Villaret, em Lisboa.

Esta peça acompanha um grupo de amigas: Ana (Raquel Tillo) – que é uma grávida “de primeira viagem” – Beatriz (Gabriela Barros), Teresa (Ana Cloe) e Patrícia (Tânia Alves) – que, ainda que vivam realidades diferentes, são três mulheres que já passaram pela experiência da primeira gravidez; e desenrola-se na casa de Ana, onde as suas amigas decidem surpreendê-la com um “chá do bebé” – onde se bebeu pouco chá, muito vinho e um tetrapak de sumo (para a grávida) -, apenas para o convívio das quatro. 

Ao longo da história fica bem patente o contraste entre as expectativas personificadas em Ana, versus a realidade, patente nas três amigas, da maternidade:

  • a personagem interpretada por Raquel Tillo procura informar-se o mais possível acerca da etapa de vida que se avizinha, lendo exaustivamente tudo o que encontra, preparando a sua casa até a tornar “à prova de bebé”, procurando os supostos melhores aparelhos e produtos de cuidado infantil, demonstrando, por vezes, alguma ingenuidade;
  • por outro lado, as três amigas representam a maternidade imperfeita, mas real, com perspetivas bastante diferentes: a mãe solteira (Teresa), a mãe com uma carreira de sucesso (Beatriz) e a mãe dona de casa, que cuida de cinco filhos (Patrícia); cada um associado a distintos desafios.

Tudo isto, – agregado às partilhas de Beatriz, Patrícia e Teresa quanto às mudanças biológicas do seu corpo e no quotidiano de casal, ao longo de um convívio que é sucessivamente interrompido pela mãe versão “pro max” (mãe da grávida, interpretada também por Tillo) -, culmina numa ansiedade crescente, mas bastante cómica, sentida por Ana. 

No fundo, entre música e muitas gargalhadas, esta produção critica a sobrecarga exercida sobre as mulheres, principalmente aquelas que se tornam mães e fazem os possíveis para conciliar tudo nas suas vidas, sob o olhar crítico e, por vezes, pouco piedoso da sociedade. 

No palco, o extraordinário elenco é acompanhado por três músicos igualmente espetaculares: André Galvão, Artur Guimarães (também responsável pela direção musical) e Tom Neiva. 

Na ficha artística desta produção de Força de Produção, que se deslocará à cidade do Porto em maio do presente ano, constam ainda: Henrique Dias (responsável por traduzir e adaptar a peça e as músicas), Miguel Viterbo (tradução e adaptação de músicas), Catarina Amaro (cenário), Rafaela Mapril (figurinos), Rita Spider (movimento), Luís Duarte (desenho de luz) e Diana Vaz (assistente de encenação). 

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da imagem de capa: Força de Produção

Escrito por: Maria Imaginário

Editado por: Rodrigo Caeiro

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