O que fazer quando o nó na garganta te sufoca? O meu nome é Soraia Amaral e escrevo Confissões de uma Ansiosa, uma crónica sobre aquilo que nem sempre se diz em voz alta, onde a inquietação ganha forma e a ansiedade se torna escrita. Hoje, escrevo sobre os desconfortos nos maiores confortos das nossas vidas.
Confesso que confessar se tornou difícil para mim. Escrever é um um porto seguro que sempre me acompanhou, desde que sei formar algumas frases no papel.
Confesso que estou cada vez melhor com a verbalização dos meus pensamentos, com a ideia de ajudar quem precise no momento certo. É bom usarmos as nossas experiências, por muito más que sejam, para apoiar os outros, e dar-lhes uma sensação de que não estão sozinhos no que quer que estejam a passar.
Confesso que, de qualquer das formas, o papel sempre foi muito mais reconfortante. O papel aguarda-me, dá-me licença e permite-me fazer correções. O papel dá-me segundas, terceiras e quartas chances para expor o que quero, como quero e quando quero. E essa sensação de tempo agrada-me, neste mundo tão veloz.
Confesso que, nos últimos tempos, o papel afeta-me tanto quanto falar. Sabes aquele nó na garganta que sentes quando estás a falar de um assunto complicado, que te custa, e estás prestes a chorar? Escrever dá-me esse sentimento. Ou melhor, tem me dado.
Às vezes, os maiores confortos para nós, naquele momento, deixam de o ser. Será essa a razão para lhes virar as costas e desistir? Será esse o motivo para parar de tentar, e resumir a memórias todos os bons momentos? O meu palpite é nunca. As maiores paixões vêm com momentos frustrantes, faz parte da raça humana, da intensidade com que vivemos as coisas.
Honestamente, não sei responder à pergunta inicial. Se o nó na garganta te sufoca, deita cá para fora. A vida tem os seus dissabores, e está tudo bem. Nem tudo é colorido, pois assim onde estaria o preto e o branco? Só não podes permitir que te sufoque para sempre.
Confesso que, neste preciso momento, estou a lutar contra o nó que me aperta os dedos enquanto escrevo. Vou esquecer todo o amor que tenho pela escrita, e não lutar contra o medo e a ansiedade? Nunca.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: fonte própria
Escrito por: Soraia Amaral
Editado por: Maria Francisca Salgueiro


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