A informação que normalmente se encontra na internet sobre menstruação é vaga. Por isso, compactei neste artigo tudo o que é relevante saber para cuidar do nosso corpo e mente durante as diferentes fases. Aproveitando para mostrar que não temos de encarar os nossos ciclos como fraqueza.
O mundo não está organizado de uma forma que se alinhe com o ciclo menstrual de cada mulher, mas isso não significa que temos de ignorar a nossa natureza e viver como um homem. Há fases onde temos menos energia ou estamos mais mal humoradas – o problema não é nosso, é a forma como o nosso corpo foi projetado.
Começaremos pelo começo: o que é o período e porque é que acontece?
É a fase de sangramento do ciclo menstrual, quando o corpo elimina o revestimento do útero que não foi usado para uma gravidez, óvulos não fecundados, resultando na perda de sangue, tecido e muco pela vagina. Dura em média 3 a 7 dias, dos 25 aos 28 dias que constituem o ciclo menstrual.
Mas o ciclo menstrual é muito mais que isso. Pode ser divido em mais 3 fases: folicular, ovulação e lútea.

Fase folicular
A primeira é a folicular, que se dá no primeiro dia de sangramento. A concentração de estrogênio e progesterona é baixa, sobretudo nos primeiros 2 dias da menstruação. Gerando baixa energia, fadiga e mau humor. É comum o surgimento de sintomas como cólicas menstruais, dor de cabeça, dor ou sensação de peso na parte inferior do abdómen e na região lombar. Crises de enxaqueca também são mais frequentes nessa fase. A partir do dia 3, o estrógeno volta a subir e o bom humor também. O boost de energia faz com que queiramos socializar mais, e aumenta a nossa curiosidade e criatividade.
O corpo precisa de recuperar, por isso é importante incluir alimentos com ferro como lentilhas, espinafres e feijão. Ingerir proteína: ovos, peixe, carne e leguminosas. Carboidratos complexos como arroz integral e aveia, além de muita água. Os treinos devem ser mais gentis nesta fase, uma vez que o corpo não tem muita energia.
Ovulação
A fase ovulatória acontece entre o dia 7 ao 14 do ciclo. Acontece quando um óvulo é libertado pelo ovário, representando que o corpo está biologicamente “pronto” para a reprodução. Por norma, é a fase mais feliz do mês para qualquer mulher. A libido é extremamente alta, a pele brilha e a energia está no pico.
O olfato é o sentido mais apurado do ser humano. E no processo de evolução percebemos que se o homem conseguisse detectar quando a mulher está a ovular representaria vantagens na reprodução. Isto significa que quando ovulamos, por norma, somos vistas como mais atraentes pelos homens. Claro que não é consciente, apenas libertamos feromonas que quando entram em contacto com o nariz masculino, transmitem ao seu cérebro a mensagem de “ela está fertil!”.
Mesmo para quem não quer engravidar, continua a ser uma boa fase para explorar com possíveis parceiros ou sozinha, uma vez que o nível de testosterona está alto. O estrógeno alto resulta em alta energia, bom humor, clareza mental, baixa ansiedade e aumento na dopamina.
Para manter energia e evitar inflamação, deve-se comer fruta fresca, vegetais crus ou levemente cozidos (para não perderem nutrientes), gorduras boas como abacate, azeite ou nozes e proteína magra. É a melhor fase para treinos intensos, uma vez que o corpo recupera rapidamente.
Fase lútea
A última fase é a lútea e os últimos 5 dias incluem a TPM (Tensão Pré-Menstrual). O corpo prepara-se para uma possível futura gravidez, assim a progesterona sobe (hormona calmante) e o estrogénio desce gradualmente.
Se não houver fecundação, a partir do dia 15 mais ou menos, ambas as hormonas caem abruptamente. E começam-se a dar os sintomas da TPM. É natural o cansaço, a irritabilidade, a tristeza ou sensibilidade, e a necessidade de silêncio e rotina. A sociabilidade diminui, há menos paciência para estímulos sociais e a libido desce, especialmente no fim, pois a progesterona desacelera e o estrogênio (ligado ao prazer) está mais baixo. Assim, os níveis de serotonina (o hormônio da felicidade) caem, explicando as mudanças de humor e irritabilidade.

As dores comummente apelidadas de “dores do período” dão se porque o útero começa a contrair-se para expulsar o endométrio, uma camada interna rica em vasos sanguíneos, que se espessa para agarrar o possível embrião. Quando não há fecundação este é expelido, sendo que as contrações uterinas causam espasmos, dor e, por vezes, diarreia, náuseas e dores nas costas. Todavia, se estes sintomas forem intensos, frequentes e atrapalharem o dia a dia deve-se ir ao médico perceber se existe a possibilidade de se sofrer de Transtorno Disfórico Pré-Menstrual.
O corpo nesta fase pede conforto e estabilidade, dessa forma é importante aumentar os carboidratos complexos como batata-doce e arroz, magnésio como sementes ou banana, aumentar a ingestão de proteína para 2 a 2,5 g por quilo de peso corporal focando em alimentos como carnes, ovos, peixes, sementes e leguminosas, juntamente com fibras e omega-3, para combater a inflamação. Como é uma fase longa, no início os treinos podem ser de força moderada, já para o fim deve se regressar aos treinos leves e caminhadas.
Não é uma fragilidade
Por fim, quero fazer um apelo: a menstruação não é uma fragilidade do corpo feminino. As mulheres têm uma das tarefas mais importantes do mundo – gerar vida. E, para isso, o processo evolutivo achou mais vantajoso ovularmos todos os meses.
A conotação negativa que a menstruação possui é prejudicial, pois não só é absorvida pelos homens, mas pelas próprias mulheres. Já ouvi muitas raparigas dizerem que se sentem nojentas quando estão com o período.
Não significa que somos instáveis ou que é impossível o cérebro masculino compreender o nosso. Apenas é necessário um pouco de informação e curiosidade para ouvir o que as mulheres têm para dizer para quebrar essas ideias pré-concebidas.
O ciclo menstrual não é um problema, apenas o ritmo biológico completamente natural. Relógio que nos permite saber exatamente quando já se passou um mês. Um processo que mostra a resiliência do corpo feminino, o único ser que sangra sem ferimento. Cujo sangue é o único que não nasce da violência.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Sara Reis
Escrito por: Sara Reis
Editado por: Rodrigo Caeiro


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