Ai a Tola de Khamenei

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Em março de 2026, o Irão não é apenas um país em crise, é o monumento vivo ao fracasso de uma “tola” que parou no tempo. Ali Khamenei é o arquiteto de um isolamento suicida que conseguiu, finalmente, o que décadas de sanções não tinham conseguido fazer, e é a “prova provada” de que o fanatismo é o pior conselheiro económico e militar. A “tola” do Guia Supremo, outrora temida como o centro de uma estratégia regional implacável, revelou-se afinal uma câmara de eco de delírios imperiais.

Enquanto Ali Khamenei se perdia em labirintos de enriquecimento de urânio e na retórica de “morte ao Grande Satã”, a realidade cá fora era outra. Enquanto ele punha a sua “tola” a sonhar com bombas e hegemonia no Médio Oriente, as mulheres e jovens iranianos punham a cabeça a prémio nas ruas por um bocado de pão e um pouco de liberdade. O regime islâmico de Teerão tornou-se numa máquina de moer carne humana para sustentar o ego de uma elite clerical, que confunde a sua própria sobrevivência com a vontade de Deus.

A escalada militar de 2026 foi o xeque-mate a um blefe que durou tempo a mais. A “tola” de Khamenei acreditou genuinamente que o mundo continuaria a assistir, impávido, ao fecho de estreitos e ao financiamento de milicias e organizaçoes terroristas. Esqueceu-se que, no jogo da geopolítica, quem estica demasiado a corda acaba por ser enforcado pela mesma. O colapso das defesas iranianas nas últimas semanas não foi apenas uma derrota técnica; foi o desmoronamento moral de um sistema que já ninguém, nem mesmo a guarda revolucionaria, está disposto a defender com tanta convicção.

Agora resta uma pergunta, o que fica da “tola” do Khamenei? Uma economia em escombros e uma geração traumatizada pelas suas ações desumanas. O Guia Supremo quis ser o sucessor de Khomeini, mas acaba como o coveiro de uma revolução que apodreceu de dentro para fora. A sua teimosia foi tudo menos força, foi senilidade política. A sua resistência não foi heroísmo, foi um crime contra o seu próprio povo e contra a humanidade.

Mas o turbante caiu. A “tola” que se achava infalível está agora exposta ao julgamento implacável da História. Se o Irão de 2026 conseguir renascer das cinzas deste conflito, será apesar de Khamenei, e nunca graças a ele. O tempo das teocracias que governam pelo medo e pela ignorância acabou. A “tola” de Khamenei foi a última a perceber que o mundo já não tem paciência para mártires de plástico e tiranos de pijama.

Fonte da imagem de capa: CNN Portugal

Escrito por: Rafael Pereira

Editado por: Cristina Barradas

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