
Eu, caro leitor, sei bem o que é deixar que o medo tome decisões por mim. Sei o que é abdicar daquilo que realmente queria por medo de não ser capaz ou por achar que não era “merecedora”. No entanto, continuo a aprender, todos os dias, que nada disto é verdade.
E apesar de saber que esta insegurança é completamente normal e expectável, que todos temos os nossos momentos de fraqueza e que isso não nos torna menos fortes, continuo a ser afetada por este problema que acredito ser mais coletivo que pessoal.
Ninguém necessariamente nos diz que não somos suficientemente bons, na maior parte das vezes somos nós mesmos que transformamos pequenas ações, pensamentos ou decisões em verdades absolutas. Verdades essas que não são nossas, embora as tratemos como se fossem.
A autossabotagem que fazemos a nós próprios, inteiramente tóxica, comunica connosco. Não diretamente, nem explicitamente, mas num simples “não te arrisques”, “não és capaz”, “não vais conseguir”. E nós ouvimos, por medo. Medo de desiludirmos, medo de não correspondermos às expectativas que depositaram em nós.
Na minha visão, o medo é um dos nossos piores inimigos. Limita-nos e rouba-nos oportunidades, experiências e sonhos. E quando damos por nós, percebemos que ficamos parados no mesmo sítio, agarrados pelo medo, enquanto a vida continuou a avançar.
Acredito que o primeiro passo seja este mesmo: reconhecer que a voz da autossabotagem não é verdadeira. É apenas um eco de medos antigos e de comparações injustas.
Caro leitor, talvez nunca cheguemos a sentirmo-nos “suficientemente bons” todos os dias, mas isso, no fundo, não significa que não o sejamos.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem da capa: Pinterest
Escrito por: Leonor Nobre Pinela
Editado por: Rita Luís


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