Vivemos numa época em que parece que todos à nossa volta estão sempre a conquistar alguma coisa menos nós. Basta abrir qualquer rede social para sermos inundados por fotografias de conquistas, anúncios de oportunidades, viagens, estágios, notas excelentes, projetos de sucesso, entre muitas outras coisas. A vida dos outros parece uma sequência interminável de objetivos concretizados, sonhos tornados realidade, enquanto a nossa vida, vista por nós, parece vazia, cheia de dúvidas e desvios sem um rumo.
E é ai que começa a comparação.
Sem nos apercebermos, passamos a medir o nosso valor pelos resultados visíveis dos outros. Olhamos à nossa volta e sentimo-nos para trás, parece que todos estão mais avançados, mais confiantes, mais preparados, e nós continuamos no mesmo sítio. Parece que todos sabem exatamente aquilo que estão a fazer exceto nós. A comparação constante acaba por nos roubar algo essencial e especial: a capacidade de reconhecer o nosso próprio caminho.
Porque a verdade é que raramente valorizamos o nosso esforço e dificilmente nos apercebemos das nossas pequenas e grandes conquistas por estarmos ofuscados com o “brilho” dos outros. Além disso, acabamos por nunca ver as falhas, as inseguranças, o cansaço, o tempo investido e as derrotas que possivelmente os outros enfrentaram.
Aos poucos, instala-se a sensação de sermos insuficientes. A ideia de que estamos atrasados e de que não somos capazes. De que estamos a falhar sem nem sequer tentarmos.
Talvez seja preciso pararmos. Respirar. Desligarmo-nos das redes sociais. E vivermos as nossas pequenas e grandes conquistas.
Ainda temos 18 anos.
O que significa que não estamos atrasados, apenas estamos a iniciar o nosso percurso. O caminho ainda está a ser construído, haverá quedas, e será preciso sabermos recuperar e manter a cabeça erguida. As dúvidas vão aparecer, mas faz parte do processo de crescimento. Crescer não é uma corrida contra os outros, mas uma caminhada que devemos saber apreciar e usufruir. E o mais importante: devemos fazê-la ao nosso ritmo.
Talvez o verdadeiro desafio não seja quem chega mais depressa, mas aprendermos a valorizar até onde já chegamos.
A nossa história não está a acontecer tarde demais, está simplesmente a acontecer agora.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem da capa: Gerada por IA.
Escrito por: Patrícia Simões
Editado por: Maria Francisca Salgueiro


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