O regresso gentil de Brendan Fraser num Japão agridoce

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Confesso que já passou algum tempo desde que saí da sessão de imprensa de “Família de Aluguer” (“Rental Family“). Se me perguntarem a ordem exata das cenas ou o nome de todas as personagens secundárias, se calhar falho. Mas há coisas que não desaparecem com o tempo, e a “aura” deste filme é uma delas. Sabem aqueles filmes que funcionam como comida de conforto? É isto.

A história leva-nos até ao Japão, mas esqueçam as luzes néon e a confusão de Tóquio. O filme da Hikari foca-se nas pessoas e nos silêncios. E no centro de tudo está o Brendan Fraser. É impossível não torcer por ele. O homem tem uma capacidade incrível de, só com o olhar, transmitir uma “tristeza” que nos desarma completamente.

Ele tem um papel de ator americano completamente perdido na vida que começa a trabalhar numa daquelas agências japonesas onde se alugam pessoas para fingir que são seus familiares. A premissa podia ser super cínica ou gozar com a solidão dos japoneses, mas o filme nunca vai por aí. Pelo contrário.

O que me ficou na memória foi a delicadeza com que o tema é tratado. Ficamos a pensar: até que ponto uma relação “comprada” é falsa, se o sentimento de conforto que ela traz for verdadeiro? Ver o Fraser a tentar encaixar-se (literalmente e figurativamente) naquelas casas japonesas e na vida daquelas pessoas tem tanto de cómico como de comovente.

Não esperem um filme de grandes reviravoltas. É um filme lento, de conversas à mesa, de olhares trocados e de sentimentos que não precisam de tradução. Saí da sala com aquela sensação agridoce de quem acabou de ver algo muito humano.

Num mundo de cinema cheio de barulho e efeitos especiais, o “Família de Aluguer” ganha por nos lembrar que, no fundo, todos nós só queremos alguém que esteja lá. Seja a fingir ou não. E o Brendan Fraser continua a ser o tipo que todos nós queríamos ter como amigo (alugado ou não).

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Fonte da imagem da capa: New York Times

Escrito por: Rafael Pereira

Editado por: Íngride Pais

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