“Bola de Bilhar” é o novo EP de “Nunca Mates o Mandarim”. Através da música a banda portuguesa promete contar histórias e mudar mentalidades.
“Nunca Mates o Mandarim”, banda composta por: João Amorim (voz), Manuel Dinis (guitarra) e João Campello (bateria) cantam a cidade como Cesário Verde. Por meio a críticas e descrevendo a sua beleza, usam-na como uma musa que inspira e dá alento para tirarem do peito o que nele sentem.
No palco do “Festival da Canção” apresentam-nos uma música que descrevem como uma névoa, indo de acordo com o seu titulo “Fumo”.
Após entrevistar a banda, pude conhecer melhor o que acredito ser uma das revelações da música alternativa portuguesa.
Como surgiu a ideia de criar uma banda? Contem um pouco da vossa história!
A ideia de criar uma banda surgiu um pouco por acaso, na altura compus a “Domingo” e enviei ao João Amorim que já tinha um projeto a solo. Ainda não éramos os “Nunca Mates o Mandarim” mas já sentimos que precisávamos de um grande guitarrista e daí termos convidado o Manuel Dinis que connosco acabou as músicas que faltavam compor para lançarmos o “Parou P‘ra Ver”. – João Campello.
O nome “Nunca Mates o Mandarim” desperta curiosidade imediata, de onde nasceu?
O nome é de certa forma roubado do Eça de Queirós, do seu romance “O Mandarim”. Numa das últimas frases do livro o Eça quebra a 4ª parede e dirige-se ao leitor advertindo-o acerca dos perigos da ganância e da opulência. No nosso 1º EP temos também um interlúdio que se apropria do mesmo livro. – João Amorim.
Nesse caso acreditam que bem como Eça de Queirós criticava os seus contemporâneos também as vossas músicas refletem uma crítica acerca da sociedade vigente?
Nas nossas músicas há sempre uma crítica social, que acaba por ser inevitável sendo jovem português, é difícil de estar conformado. – João Amorim.

Acerca do novo EP, “Bola de Bilhar” é um título muito visual. O que simboliza para vocês?
O novo álbum é um pouco sobre a distância, mostrando as dificuldades e o desenraizamento necessário para mudar de cidade, no meu caso pessoal do Porto para Lisboa. Fala, também, muito acerca da cidade do Porto e o amor não correspondido. A bola de bilhar em si acaba por simbolizar o jogo enquanto relação e rotina. – João Amorim.
Quando ouvimos as músicas sentimos que elas nos contam uma narrativa. A sua história é meramente ficcional ou existem fundos de verdade? Teriam por exemplo uma musa?
A música tem sempre um fundo de verdade, mas grande parte é meramente ficcional. A única faixa que eu diria que se dirige a uma musa é a “Bola de Bilhar” que escrevi para a minha namorada alterando apenas os tempos verbais para o passado. Uma grande musa para mim é a cidade, o Porto, Lisboa onde vivo agora ou então a distância entre as duas. – João Amorim.
Há uma narrativa que liga as músicas ou são fragmentos independentes?
Existe uma ligação que apesar de não ser proposital podemos identificar. A sua narrativa fala de forma subconsciente do jogo. Os singles que não estavam associados a nenhum álbum foram introduzidos segundo um ponto de vista estratégico de modo a conseguir cativar o público. – João Amorim/João Campello.
Qual sentem que é a diferença entre cantar os clássicos e cantar músicas inteiramente da vossa autoria?
A pressão é sem dúvida menos, já que quando cantamos músicas da nossa autoria não temos de “prestar contas a ninguém”. As obras são inteiramente construídas por nós sem estarem associadas a algo que já existia. – Manuel Dinis.

Acerca do Festival da Canção, qual foi o processo de decisão da vossa participação?
Na verdade não houve um processo de decisão. Foi-nos feita uma proposta pelos “Napa”, vencedores do Festival da Canção do ano passado, que era muito difícil de negar. – Manuel Dinis.
Sentem que o Festival poderá impulsionar a vossa carreira?
O palco do Festival da Canção, pela sua magnitude mundial, impulsiona a carreira de qualquer artista, seja pequeno ou grande. Connosco não contamos que seja diferente. Apesar de acharmos estranho olhar para a música como uma competição gostávamos de ganhar, mas sobretudo mostrar aquilo que é o “indie do Porto”. – Nunca Mates o Mandarim.
O que podemos esperar da música inédita que vão apresentar no Festival?
Apesar de ainda não podermos contar muito pode ser descrita como uma música turva e opaca. Sem dúvida mais pequena do que o normal mas seguindo aquilo que é o género dos “Nunca Mates o Mandarim”. A maior diferença é ter sido a primeira música que de base compusemos os três. – Nunca Mates o Mandarim.

Os “Nunca Mates o Mandarim” vão estar, nos dias 30 e 31 de Janeiro, no Porto e em Braga, 7 de Fevereiro em Lisboa e no palco do Festival da Canção no dia 21 de Fevereiro, mostrando aquilo que é a sua sonoridade e o que de tão bom se faz no Indie português.
Fonte da imagem de capa: Concerto MusicBox Lisboa 2024 (Fonte: Francisca Costa)
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escrito por: Francisca Costa.
Editado por: Rita Luís


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