Depois da despedida de Xabi Alonso, do desastroso jogo contra o Albacete Balompié, uma equipa da segunda liga espanhola que se encontra no fundo da tabela, da vitória contra o Levante UD onde passaram os 90 minutos a serem vaiados pelos próprios adeptos parece que chegou finalmente a luz ao final do túnel: uma grande vitória na Champions League face ao AS Monaco Fc. Será este resultado motivo suficiente para celebrar, ou apenas mais um episódio isolado numa temporada ainda cheia de incertezas?
O Real Madrid não está a passar pela sua melhor fase, embora não o pareça pela posição em que se encontra na La Liga, em segundo lugar (atrás do Barcelona) e uma passagem garantida para a próxima etapa da Champions League. Qualquer equipa no mundo ficaria extremamente feliz por estes resultados e por ter os melhores jogadores do mundo a jogar juntos. No entanto, a verdade é que o Real Madrid não é exatamente uma equipa qualquer e todo o adepto madrileno sabe que ganhar a liga espanhola não é uma meta a se atingir, mas é por outro lado uma obrigação. As expectativas para este clube estão alinhadas com a sua grandeza, resultados abaixo de isso não são suficientes nem facilmente aceites.
E foi exatamente assim que o treinador Xabi Alonso se despediu do clube, depois de uma derrota por 3-2 contra o maior rival madridista, o Barcelona. A maioria dos fãs, eu incluída, ficaram destroçados com a saída da lenda. Ansiámos durante anos a chegada de Xabi ao nosso clube e fantasiámos sobre os troféus que iriamos ganhar juntos. O problema com Xabi Alonso não partiu propriamente de nada que ele tenha feito, é mais um daqueles casos que os portugueses gostam de chamar de “ter a cama feita“. As constantes faltas de respeitos dos seus jogadores e os constantes vetos dos coordenadores do clube (estou a olhar para ti Florentino) em relação a possíveis contratações de meios-campistas e laterais, não facilitaram em nada os meses do treinador espanhol.
Se colocarmos toda a glória de fora é possível perceber que estes entraves não são recentes, e também Carlos Ancelotti foi vítima de algumas situações similares. E ao recuarmos no tempo vemos que também o grande Zinedine Zidane em 2021 sofreu com a chefia do Real Madrid. A equipa madrilena não se importa com o número de taças que um treinador ajuda a conquistar, importa-se com a capacidade que um treinador tem em obedecer aos seus superiores e não questionar as suas decisões. Desta forma, a derrota contra o Barcelona foi a gota de Xabi Alonso, que a contragosto acabou por de despedir do seu clube no passado dia 13 de janeiro. Não pelo facto de terem sido derrotados numa final da Supertaça Espanhola contra o seu maior rival, mas sim por ser o momento onde o espanhol percebeu há lutas que não se ganham em campo e a dele estava completamente perdida.
Veio então a estreia de Álvaro Arbeloa frente ao Albacete, que foi tudo o que nunca se esperaria do Real Madrid. A derrota por 3–2, contra o Albacete, expôs de forma brutal uma equipa sem organização, sem intensidade e sem qualquer ideia clara de jogo. A equipa espanhola entrou desligada, sofreu golos evitáveis e mostrou uma fragilidade defensiva preocupante. Não houve reação emocional, não houve liderança dentro de campo, e a sensação geral foi a de que a equipa estava completamente à deriva. Para um treinador que começava o seu percurso no banco, foi um arranque totalmente desastroso.
O jogo seguinte no Bernabéu ficou marcado por um dos momentos mais simbólicos desta crise: os assobios dos próprios adeptos para o seu amado clube. O estádio, que tantas vezes empurra a equipa para viradas históricas, transformou-se num espaço de contestação. Cada passe falhado, cada decisão errada era acompanhada por vaias que não eram dirigidas apenas aos jogadores, mas a tudo o que o clube representa neste momento. Quando o Bernabéu se vira contra a sua própria equipa, é sinal de que algo está profundamente errado. Não é impaciência, é frustração acumulada, e muito bem acumulada.
A resposta surgiu na Liga dos Campeões frente ao Mónaco, com um 6–1 avassalador que devolveu alguma tranquilidade ao ambiente madridista. Foi uma noite de eficácia máxima, de talento individual ao mais alto nível e de um Real Madrid que, quando quer, continua a ser imparável na Europa. Ainda assim, o resultado não apaga completamente as dúvidas. A goleada serviu mais como alívio do que como prova de um projeto sólido, mostrando que a qualidade está lá, mas que continua à espera de uma estrutura que a sustente.
Resta agora o jogo de dia 28 de janeiro contra o Benfica, um teste que promete dizer muito mais do que qualquer discurso ou goleada isolada. Será mais um jogo onde o Real Madrid se agarra à sua mística europeia, ou finalmente um momento de afirmação coletiva sob o comando de Arbeloa? Será que o Real Madrid consegue levar adiante perante o ego instalado no balneário? Será necessária uma mudança maior do que somente saltar de treinador para treinador?
As respostas ainda estão em aberto, mas o aviso é claro: “A camisa do Real Madrid é branca. Ela pode se sujar de lama, suor e até de sangue, mas nunca de vergonha”.
Fonte da imagem de capa: The Santiago Bernabéu Stadium, the prestigious white coliseum
Escrito por: Margarida Simões
Editado por: Rodrigo Caeiro


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