Uma história por contar

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Vou de Erasmus daqui a pouco mais de um mês e nunca esperei sentir tantas coisas ao mesmo tempo como estou neste momento.

Sempre estive certa de que era algo que queria experimentar, especialmente depois de ver a minha irmã a passar por algo deste género, mas nunca imaginei que me ia sentir tão pouco preparada para o fazer. Não é como se achasse que não vou conseguir cozinhar ou meter uma máquina de roupa a lavar (apesar de ficar um bocado assustada e provavelmente ir ligar à minha mãe todos os dias com coisas que ela vai achar totalmente desnecessárias mas que, para mim, serão questões de vida ou de morte). Mas, a cada dia que passa, sinto-me cada vez mais nostálgica e ainda nem a mala fiz. 

Faltam 37 dias para eu me ir embora e já sinto saudades das coisas que ainda me rodeiam. Não sei como descrever este sentimento. Parece-me uma mistura entre saudade, nostalgia, entusiasmo, ansiedade e curiosidade. Eu sei, parece estranho. Especialmente tendo em conta que ainda tenho os dois pés assentes em Portugal.

Não sei, de todo, como é que vai ser, mas sei que vou trazer muitas histórias para contar. Sei que vou voltar com muito mais bagagem do que a que levei comigo (metaforicamente, esperemos, para não ter de pagar uma mala extra). Sei que vou ter novas experiências. Não sei se boas ou menos boas, mas sei que vão ser novas. Sei que vou conhecer novas pessoas, novos sítios, novas palavras, novos sabores e novos sorrisos. Sei que a saudade da casa portuguesa vai ser temporariamente coberta com os momentos passados na casa croata.

Sei que vou ter um pé cá e um pé lá, provavelmente para o resto da vida. Sei que viver num sítio tão longe de casa, por tanto tempo, pela primeira vez na vida, de certeza que me vai marcar. Sei que vou estar num constante estado de bittersweet – saudades de tudo o que aqui tenho, mas tão feliz pela oportunidade que vou ter lá.

Não sei, realmente, é um conceito estranho. É ainda mais estranho quando me apercebo que faltam 37 dias e já estou a pensar nas roupas que vou levar e nas que vou deixar. Quando já estou a stressar em como é que vou encaixar a minha vida para 5 meses numa mala de porão e numa de cabine. Mas, de qualquer das maneiras, vai ter de acontecer. E todos os momentos vão ser novos momentos, dos quais tenho a certeza que me hei de relembrar durante muito, muito tempo.

Ainda não sei qual é que vai ser a minha história de Zagreb, mas espero daqui a 6 meses poder partilhá-la.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Fonte da Imagem de Capa

Escrito por: Leonor Oliveira

Editado por: Íngride Pais




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