Janeiro com muito descanso ou tudo igual? O meu nome é Soraia Amaral e escrevo “Confissões de uma Ansiosa”, uma crónica sobre aquilo que nem sempre se diz em voz alta, onde a inquietação ganha forma e a ansiedade se torna escrita. Hoje, escrevo sobre a a obsessão em estudar e ser sempre melhor (que eu mesma).
Como concluí no último artigo, as aulas dão-se por terminadas – para já – e entrámos então, na grandiosa época de exames: a altura em que todos desejam estar de férias, mas são obrigados a agarrar-se ao computador e aos apontamentos do primeiro semestre – é um adeus às cadeiras do semestre muito querido, a meu ver.
Resumidamente, porque ODEIO insinuar algum tipo de egocentrismo, acabei com boas notas. Acabei apenas duas cadeiras com nota inferior a 16: Princípios Gerais de Direito (15) e Sociologia (14). Ponto chocante para todos os estudantes universitários: vou fazer melhoria.
De um lado, temos a minha cadeira favorita do semestre, aquela de que nunca me fartei de estudar, e que, apesar de complicada, nunca tive conflitos: PGD. Do outro, temos uma cadeira que, mesmo não achando, deu-me uns momentos difíceis para conseguir estudar: Sociologia.
E assim, caro colega, estraguei as minhas férias. Na verdade, não, porque surpreendentemente, não me estou a matar na secretária a estudar o dia todo. Ganhei consciência de que a faculdade não é o secundário e, melhorando ou não, estou feliz com os meus resultados. No entanto, por mais que o diga, não consigo deixar de ir a melhoria. Não consigo deixar de ter a rotina do estudo. Não consigo deixar de pensar “e se eu for”. E a dor de barriga antes do exame, mesmo sem pressão, é como a fila do bar às 12h59: é garantida.
A ansiedade de relaxar e descansar enquanto ainda há uma última oportunidade de ser melhor é enorme. É muito maior do que a preguiça e procrastinação durante o estudo, ainda que seja difícil de acreditar. O ser humano é um ser de hábitos, e posso dizer que o meu maior hábito são as rotinas. Estudar tornou-se um grande hábito que faz parte da minha rotina, e acreditem, assim que o retiro, é muito difícil de ele voltar. O medo de não o conseguir trazer como está agora consome-me, muito mais do que estudar duas horas de manhã e duas horas de tarde, com alguma procrastinação pelo meio e uns tiktoks.
Sim, podia estar muito mais relaxada, dizem todos. Mas eu sei que a ansiedade que eu teria, dia após dia, até chegar ao dia antes do exame, e ir dormir a sentir que nem fiz o mínimo de esforço em ir, em simplesmente aparecer, e fazer o meu melhor, seria muito maior do que a de aparecer e fazer o exame. Prefiro sentir uma pequena ânsia de “será que vai correr bem?”, do que “desiludi-me”.
Eu não quero ser melhor que ninguém. Pelo contrário, adoro ver os outros a ter sucesso. Eu só quero ser melhor que eu mesma, melhorar todos os dias e provar à Soraia que ela é melhor do que ela pensa dela mesma. Que ela é capaz, e um dia mais tarde vai agradecer-lhe. Confuso, não é?
Fonte da Imagem de Capa: Soraia Amaral
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escrito por: Soraia Amaral
Editado por: Leonor Oliveira


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