Mas afinal de onde é que vem todo este peso em forma de estudo, resumos e choro sem grande explicação? O meu nome é Soraia Amaral e escrevo “Confissões de uma Ansiosa”, uma crónica sobre aquilo que nem sempre se diz em voz alta, onde a inquietação ganha forma e a ansiedade se torna escrita. Hoje, escrevo sobre a pressão académica, e grande origem desta na minha vida.
Após um semestre de faculdade concluído (como muitos costumam dizer, o primeiro de muitos), posso dar a minha humilde opinião acerca desta vida de estudante universitária – é como um oceano. Não conhecemos o quão profundo é, é extremamente imprevisível, somos empurrados sem saber nadar e, para poder sobreviver, flutuar é a única escapatória, até conseguirmos aprender a nadar. No caminho engolimos alguma água, ficamos sem fôlego e só nos apetece encostar a uma pedra, o que é impossível, porque estamos em alto mar. Sou a única que reconhece esta metáfora?
Claro que tem os seus pontos altos – conhecer pessoas novas, potenciais amigos para a vida, que partilham dos nossos gostos e com os quais conseguimos desenvolver aquele tipo de amizade em que 1 mês equivale a uma eternidade. A vida académica, como a praxe (a qual, com muita pena, não faço parte) as festas e quintas-feiras académicas (nas quais, muitas das vezes, não apareço) e os convívios durante as aulas (os quais nunca presencio). Deixei, por escolha própria, tudo isso de lado, para poder me situar no curso que entrei em terceira fase (uma vez mais, por demasiada indecisão minha).
Às vezes sinto que me divido em duas pessoas e elas falam horas seguidas – constantemente. Graças a elas, a minha cabeça nunca entra em modo avião, e com 18 anos já tenho uns quantos cabelos brancos. Enquanto eu, Soraia, comando a minha vida, tomo decisões e respiro livremente, as duas outras pessoas falam e comentam tudo o que faço – e claro, sempre negativamente. É a elas que devo esta ansiedade, esta indecisão constante, este medo de decidir, toda a mágoa e pensamentos tristes que guardo dentro de mim, porque tenho conversa suficiente só para elas. Acho que se me dessem uns óculos e um chapéu eu reencarnava Fernando Pessoa século 21.
Não podia estar mais feliz com os meus resultados académicos, juro por tudo, mas não consigo deixar de sentir que falta alguma coisa. Sinto que me deixei ir com a obsessão de estudar e ter bons resultados, e deixei de parte o que também importa para além de tudo isso. Entrar em terceira fase num curso não é nada fácil, e isso posso confirmar. Mas passo os dias a questionar-me: “estarei eu no sítio certo, mesmo depois de tanta mudança e dores de cabeça?”.
É verdade, o ensino está cada vez mais exigente e sufocante, mas eu própria estou cada vez mais obcecada e aterrorizada. O futuro está cada vez mais próximo, e tal provoca em mim uma ânsia de “é agora, escolhe o que pretendes nesse teu futuro”. Nisso é preciso incluir gostos, preferências, sonhos e paixões. No entanto, temos que pensar em rendimentos, expectativas, oportunidades, inteligência e potencial. Acaba por se tornar numa bola de neve nomeada de “exigências”, que me atinge todos os dias. Mas também quem a atira sou eu, portanto..?
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem da capa: Soraia Amaral
Escrito por: Soraia Amaral
Editado por: Íngride Pais


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