Há ideias que não admitem conciliação. O nazismo é uma delas. Apesar disso, continuam a surgir vozes que tentam apresentar esta ideologia como compatível com o cristianismo ou, pelo menos, como algo que um cristão poderia tolerar. A História, porém, é clara e a vida e morte de São Maximilian Kolbe desmonta por completo essa narrativa.
St. Maximilian Kolbe era um padre franciscano católico polaco. Não foi um ingénuo apanhado pela engrenagem da guerra. Pelo contrário: percebeu cedo a natureza do regime nazi e opôs-se-lhe de forma clara, tanto no plano espiritual como no plano moral. Denunciou o totalitarismo, rejeitou o racismo biológico e recusou aceitar a subordinação da consciência cristã ao Estado.
No seu convento, acolheu judeus perseguidos. Não o fez por cálculo político, mas por fidelidade ao Evangelho e foi precisamente essa fidelidade que o levou à prisão, à deportação para Auschwitz e, por fim, à morte.
O episódio que o tornou símbolo universal é conhecido, mas nunca banal: após a fuga de um prisioneiro, os nazis escolheram dez homens para morrer à fome como castigo colectivo. Um deles, pai de família, entrou em desespero. St. Maximilian Kolbe avançou e ofereceu-se para morrer no seu lugar. Os guardas aceitaram. Durante duas semanas, sem comida nem água, o padre rezou e confortou os restantes condenados, até ser morto com uma injecção letal.
Este gesto não é apenas um acto de coragem individual. É uma afirmação radical de tudo aquilo que o nazismo nega. O cristianismo assenta na dignidade igual de todos os seres humanos, criados à imagem de Deus. O nazismo baseia-se numa hierarquia racial que desumaniza e exclui. O cristianismo afirma que há uma lei moral acima do poder político. O nazismo exige obediência absoluta ao Estado e ao Führer. O cristianismo tem no centro o sacrifício voluntário pelo outro. O nazismo glorifica a força, a violência e a eliminação das minorias.
Sem deixar de mencionar que este regime alemão perseguiu continuamente a Igreja (principalmente a igreja católica), encerrou associações católicas, reprimiu a imprensa religiosa, prendeu milhares de padres e sacerdotes e enviou-os para campos de concentração. O principal campo de concentração para o qual eles eram enviados, era para o campo de dachao. Não foi ao acaso que o Papa Pio XI condenou explicitamente o nazismo na encíclica “Mit brennender Sorge”, em 1937, o que provocou uma onda de represálias.
Perante isto, a ideia de um “nazismo cristão” não é apenas historicamente falsa. É moralmente absurda.
Quem hoje se diz cristão e, ao mesmo tempo, simpatiza ou relativiza o nazismo, vive numa contradição profunda. Pode usar linguagem religiosa, símbolos cristãos ou referências vagas à tradição, mas isso não muda o essencial: não se pode servir o Evangelho e uma ideologia fundada no ódio, no racismo e no culto do poder.
St. Maximilian Kolbe não morreu por uma abstração. Morreu porque levou o cristianismo até às últimas consequências num sistema que não tolerava a dignidade humana. A sua vida é um lembrete necessário: há ideologias que não se conciliam com a fé cristã.
O nazismo é uma delas.
Fonte da Imagem de Capa: The Catholic Gentleman-St. Maximilian Kolbe.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escrito por: Rafael Ramos Pereira
Editado por: Leonor Oliveira


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