No passado dia 29 de outubro, a longa metragem Shrinking Space foi exibida no ISCTE, pelas 18h00, no âmbito do Women´s Film Festival dos Olhares do Mediterrâneo.
Shrinking Space é uma longa que explora e expõe os atos israelitas contra o povo palestiniano antes do dia 7 de outubro de 2023. Com a realização de Cristina Mora e Norma Nebot, foi, pelo público, eleita a Melhor Longa do Festival, este ano. Para além das duas realizadoras, estiveram presentes a Dra. Giulia Daniele – professora, investigadora e membro do OPAL ISCTE -, e a convidada Ruba Khafal – diretora do programa de Estudos Árabes e Palestinianos na Birzeit University (Palestina).



A longa contextualiza-nos, através do passado (e de um passado recente), para aquilo que se vive, atualmente, na Palestina, expondo as constantes tentativas israelitas de desmantelar a sociedade civil palestiniana – comportamentos estes que já ocorriam muito antes dos violentos ataques à integridade física e psicológica deste povo, iniciados a 7 de outubro de 2023.
Em agosto de 2022, as forças israelitas invadiram os escritórios de sete organizações da sociedade civil dos Territórios Palestinianos Ocupados (TPO) , áreas que foram ocupadas por Israel à Jordânia. As sete Organizações não Governamentais foram os escritórios da Addameer (ONG de apoio aos presos políticos nas prisões de Israel da Palestina), a al-Haq (ONG de proteção e promoção dos direitos humanos no Território Palestino Ocupado), a Defense for Children International – Palestine (ONG em prol dos direitos das crianças e da sua proteção nos TPO, incluído Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza), a The Union of Agricultural Work Commitees (ONG defensora dos direitos dos agricultores e dedicada ao desenvolvimento agrícola da Cisjordânia e da Gaza), o Bisan Center for Research and Development (ONG em prol da resiliência e desenvolvimento do povo palestino), a União dos Comités de Mulheres Palestinianas (ONG feminista, defensora de uma sociedade civil democrática e progressista) e a Health Work Committees (ONG dedicada à saúde comunitária e aos cuidados de saúde primários nos TPO).

Fonte: Olhares do Mediterrâneo
Os ficheiros destas organizações foram confiscados, os escritórios das mesmas foram forçadamente encerrados e os seus membros foram acusados de terrorismo, sem qualquer prova. Acusados por, pura e simplesmente, pertencerem a importantes organizações protetoras do povo palestiniano. Israel disse ter provas, no entanto, as mesmas nunca foram apresentadas, e vários dos trabalhadores foram detidos e presos, sem qualquer justificação.
Shriking Space conta com o testemunho de Juana Ruíz Sanchez, ativista espanhola pelos direitos humanos das mulheres e residente na Cisjordânia, Palestina, que foi presa após uma destas invasões israelitas. Juana foi detida a 13 de abril de 2021, sob as acusações de “participação em atividades de uma associação ilegal” e “recebimento de dinheiro por um propósito falso”, isto é, por trabalhar em prol dos direitos humanos e por fazer parte da Health Work Comittee – uma das associações consideradas ilegais por Israel. Juana foi considerada culpada a 17 de novembro e condenada a 13 meses de prisão.

Fonte: Olhares do Mediterrâneo
No documentário, Juana afirma estar consciente de que só foi libertada “tão cedo” pela pressão do governo sobre o governo israelita, demonstrando, nas suas palavras e olhar, a frustração e mágoa por ter tido uma oportunidade que as mulheres palestinianas com quem partilhou a prisão nunca terão.
Juana não foi a única testemunha presente na longa. Shrinking Space conta com a perspetiva, em primeira mão, da repressão, censura e impotência que os membros das várias organizações sentiram, ensinando-nos parte da história da Palestina e transmitindo uma visão diferente da que os media nos passam: a perspetiva de que o que se passa entre Israel e a Palestina não é, atualmente, um conflito, mas um ataque unilateral.
No final da longa, o auditório do ISCTE foi espaço de debate, entre o público, as realizadoras, Giulia e Ruba Khafal. Ruba diz que a solução mais possível para o fim deste massacre é a “pressão dos povos sobre Israel” e afirma que não quer dizer que os palestinos vivem com medo: “[…] isso é o que eles querem. Vivemos sob uma sensação de perigo iminente: pode ser a última vez que nos deitamos naquela cama ou o último dia em que temos aquele trabalho”.
Desde outubro de 2023, o massacre que originou o genocídio em Gaza agravou nocivamente a liberdade e a dignidade do povo palestino. O mundo inteiro assiste, sem que ninguém saiba dizer quando é que os direitos deste povo lhes serão assistidos.
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Fonte da imagem de capa: Olhares do Mediterrâneo
Escrito por: Cristina Barradas
Editado por: Íngride Pais


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