O Alzheimer, atualmente, é o tipo de demência mais comum, sendo responsável por 60% a 80% dos casos nos Estados Unidos. Em 2013, 6,8 milhões de pessoas foram diagnosticadas com demência, das quais cinco milhões classificadas como Alzheimer. Em 2050, espera-se que estes números dupliquem.
Esta doença rouba fragmentos das memórias, frequentemente das mais recentes. Não sei se alguma vez vou descobrir o que é que uma pessoa com este tipo de demência pensa e sente. Será que se apercebe que não se lembra de partes tão importantes da sua vida? Será que sabe que não se lembra o que é que tomou ao pequeno-almoço? Será que se lembra sequer de que tomou o pequeno-almoço? Se sabe, o que é que deve sentir? Um vazio angustiante por se aperceber que não se lembra de coisas que, provavelmente, se deveria lembrar.
Não sei, de todo, se alguma vez vou sentir isto na minha pele, mas sei o que é presenciar esta doença a roubar as memórias e, talvez, até um certo ponto, a própria pessoa.
Como é que alguém vive uma vida tão bonita, tão preenchida, apenas para chegar ao fim desta e não se lembrar que tem 80 anos e não 14? Como é que se tem filhos, netos e sobrinhos para um dia não nos lembrarmos deles?
Para quê viajar, trabalharmos, expandirmos a nossa família, conhecermos tantas pessoas, se depois estas memórias e estes momentos vividos com tanto amor nos escapam por entre os dedos sem conseguirmos sair desse eterno labirinto onde nunca haveremos de encontrar a saída?
É isto que o Alzheimer é. Infinitas perguntas para a qual não se têm respostas.
Não há cura conhecida para esta doença e não sei se algum dia realmente haverá.
Espero que sim.
Quero viver sem ter medo de, um dia, me esquecer das memórias que fui guardando ao longo do tempo. Quero viajar e lembrar-me de todos os cantos do mundo que percorri. Quero trabalhar com a minha paixão e poder lembrar-me de tudo o que fiz para conseguir chegar a esse ponto. Quero me lembrar de todos os passeios que fiz com a minha cadela. Quero me lembrar de todos os verões, de todas as festas a que fui e de todas as danças que dancei. Quero saber as letras das músicas que vou, para sempre, amar. Quero ler e ler e ler e nunca me esquecer de todas as histórias que os meus olhos já percorreram e que a minha mente já imaginou. Quero me lembrar de todos os lanches, jantares e almoços com as minhas amigas. Quero me lembrar de todos os momentos bons e os menos bons. Quero me lembrar da minha vida.
Quero que a minha mãe se lembre de mim. Quero-me lembrar da minha mãe.
Imagem de Capa: Fonte Própria
Este artigo de opinião é da pura responsabilidade da autora, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.
Escritora: Leonor Oliveira
Editor: Íngride Pais


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